A IA musical Lyria 3.5 do Google chega ao app Gemini e à API
Lyria 3.5 expande criação musical com vocais mais realistas, faixas de até 3 minutos e novos controles no app Gemini e via API, destravando fluxos de trabalho para criadores e desenvolvedores
Danilo Gato
Autor
Introdução
Lyria 3.5, a IA musical do Google DeepMind, chegou ao app Gemini e à Gemini API em 4 de setembro de 2026, levando geração de música com vocais mais expressivos, arranjos mais ricos e faixas de até 3 minutos diretamente para usuários e desenvolvedores. A novidade amplia o alcance da Lyria 3.5, que agora pode ser usada no Gemini, no Google AI Studio, no Google Vids e no Flow Music. (blog.google)
O impacto prático é imediato. Dentro do app Gemini, dá para selecionar gênero, escolher entre vocal ou instrumental, partir de templates e controlar a duração da faixa. Para quem constrói produtos, a Gemini API expõe o modelo Lyria 3.5 com exemplos REST, JavaScript e Python, facilitando colocar a geração musical em apps, jogos, ferramentas de edição e experiências interativas. (blog.google)
Lyria 3.5 no Gemini: o que muda para quem cria
A chegada da Lyria 3.5 ao Gemini concentra três avanços que importam no dia a dia de quem precisa de trilhas prontas para usar. Primeiro, a qualidade dos vocais e das letras. O modelo gera vozes mais naturais e nuances interpretativas mais convincentes. Segundo, o fluxo de criação com templates e controles diretos, como alternar entre vocal e instrumental. Terceiro, a extensão de duração, com faixas que podem chegar a 3 minutos, úteis para vídeos, anúncios e podcasts. (blog.google)
Esses recursos se traduzem em tarefas comuns. Uma vinheta curta para um vídeo vertical pode nascer de um template, virar instrumental e ser ajustada para 20 ou 30 segundos. Uma música tema para um lançamento de produto pode combinar pop eletrônico com reggaeton, pedindo um refrão vocal em espanhol ou português. E uma trilha para apresentação corporativa pode ficar em 90 segundos, com ponte instrumental para dar respiro à fala. No Gemini, há um guia simples, com seleção de gênero e controle de comprimento da faixa. (gemini.google)
A página oficial de música do Gemini lista exemplos de faixas e confirma que a Lyria 3.5 é o modelo musical mais avançado disponível, com ênfase em vocais, letras e controles criativos. Também indica que a geração musical está disponível em todos os países onde o app Gemini está disponível e que é preciso ter 18 anos ou mais para usar. Outro detalhe útil, as faixas recebem capas geradas automaticamente e podem ser baixadas e compartilhadas. (gemini.google)
O que a Lyria 3.5 ganhou de novo em relação às versões anteriores
O site do Google DeepMind apresenta a Lyria 3.5 como a versão com avanços significativos em musicalidade, letras e qualidade vocal. Além disso, documenta capacidades de compor faixas coesas até 3 minutos, gerar vocais em vários idiomas e até compor a partir de imagens, recurso interessante para transformar uma foto em clima musical. (deepmind.google)
A seção de segurança detalha o uso do SynthID, uma marca d’água imperceptível aplicada ao áudio gerado, para ajudar na identificação de conteúdo criado com IA. Isso se soma a filtros e rótulos de dados que buscam reduzir a probabilidade de letras nocivas. Na prática, o SynthID é um componente importante para validação de procedência, tanto para direitos autorais quanto para transparência com o público. (deepmind.google)
Para quem já testava versões anteriores, como Lyria 3 no início do ano, os ganhos da Lyria 3.5 ficam claros nos vocais, na aderência às instruções de letra e no controle de duração. Em fluxos de trabalho de conteúdo, isso diminui retrabalho, já que a primeira geração tende a chegar mais perto do briefing certo, especialmente quando o prompt inclui gênero, andamento, instrumentos, timbre de voz e estrutura desejada. (workspaceupdates.googleblog.com)
Como usar a Lyria 3.5 no app Gemini, passo a passo
- Definir objetivo. Informar o uso final, por exemplo, “trilha de 30 segundos para vídeo de unboxing, sem vocal, estilo lo-fi com piano e vinil”. O seletor do Gemini permite alternar rapidamente entre vocal e instrumental e ajustar o comprimento. (gemini.google)
- Escolher gênero e referências. O menu de gêneros do Gemini ajuda a chegar na estética desejada, do pop ao hip hop, do rock ao K-pop, além de misturas. (gemini.google)
- Especificar voz e letra, se necessário. Dá para pedir “voz feminina suave, registro médio, dicção clara” e fornecer um refrão. A Lyria 3.5 acompanha o idioma do prompt, então escrever em português ou espanhol fará diferença. (ai.google.dev)
- Usar templates. O Gemini oferece uma galeria de templates para acelerar a criação, servindo como ponto de partida para ajustes finos. (gemini.google)
- Baixar e revisar. Ao finalizar, basta exportar, ouvir em monitores ou fones e checar se dinâmica, timbre e andamento combinam com a narrativa visual. (gemini.google)
Desenvolvedores: Lyria 3.5 na Gemini API e no Google AI Studio
Para integrar a Lyria 3.5 em produtos, a documentação da Gemini API traz exemplos em REST, JavaScript, Python e Java. A rota REST usa o endpoint de interactions, com o campo model definido como “lyria-3.5”. O retorno inclui dados de áudio em base64, com exemplos de extração para arquivo MP3. Há ainda orientações para gerar letras, controlar estrutura temporal com marcações de tempo e criar versões instrumentais apenas ajustando o prompt. (ai.google.dev)
Exemplos práticos que aparecem na documentação incluem prompts de “beautiful piano melody”, instruções passo a passo com timestamps do tipo [0:00, 0:10] para estruturar intro, versos e refrão, e versões multilíngues, como pedir uma canção pop romântica em francês. Isso mostra como a Lyria 3.5 se adapta de forma previsível a detalhes técnicos e criativos do prompt. (ai.google.dev)
Outra via é o Google AI Studio, onde é possível experimentar a Lyria 3.5 em um ambiente visual antes de migrar o prompt para código. Para artistas, o Flow Music agrega controles e um fluxo de edição pensado para música, enquanto o Google Vids permite orquestrar trilhas dentro de fluxos de vídeo em equipes que já usam o Workspace. (aistudio.google.com)

Casos de uso reais e ganhos rápidos
- Conteúdo social de alto volume. Equipes de social podem padronizar trilhas por categoria, como “review tech”, “behind the scenes” e “promo relâmpago”, pedindo variações do mesmo tema e duração fixa para cortes verticais. Templates e controle de comprimento ajudam a manter consistência. (gemini.google)
- Branding sonoro. Lojas, apps de bem estar e marcas DTC podem prototipar jingles, motivos e ambiências com a Lyria 3.5 e testar rapidamente opções de timbre, BPM e instrumentos. A marca d’água SynthID favorece governança de ativos digitais, já que permite verificar origem. (deepmind.google)
- Educação e e-learning. Aulas gravadas, cursos e vídeos tutoriais ganham trilhas sob medida, em volume baixo e sem voz, para não competir com a fala, com duração cronometrada para cada módulo. (gemini.google)
- Jogos e experiências imersivas. A API permite gerar variações de temas por cena ou estado do jogo, inclusive em diferentes idiomas, sincronizando tensões e resoluções conforme o progresso. (ai.google.dev)
- Produtividade em vídeo corporativo. No Google Vids, times geram, versionam e arquivam trilhas diretamente dentro do fluxo de roteiros, locuções e cortes, centralizando ativos no Workspace. (workspace.google.com)
Segurança, políticas e sinais de procedência
A Lyria 3.5 utiliza filtragem e rotulagem de dados para reduzir probabilidade de letras nocivas e aplica SynthID em todas as faixas geradas, marca d’água inaudível que auxilia detecção de IA no áudio. No site do Gemini, há uma referência explícita ao uso do SynthID e a recursos de verificação que permitem enviar um arquivo e checar se foi gerado por IA do Google. Isso atende demandas de transparência e ajuda em compliance. (deepmind.google)
Há ainda requisitos de elegibilidade, com indicação de 18 anos ou mais para usar a geração musical no app Gemini, além de nota de que o recurso está disponível nos países onde o app também está. Para uso comercial, equipes jurídicas costumam exigir trilhas de procedência clara e com licença compatível com distribuição, monetização e sincronização, cenário no qual a verificação por SynthID e a padronização de fluxos no Workspace são vantagens práticas. (gemini.google)
Como escrever prompts melhores para a Lyria 3.5
- Seja específico no gênero e no clima. “Indie folk introspectivo”, “hip hop minimalista”, “electropop nostálgico” guiam textura e arranjo. Inclua BPM, tom e instrumentos quando possível. (gemini.google)
- Defina parâmetros de voz. Informe gênero, tessitura e timbre, por exemplo, “voz feminina suave, registro médio, dicção clara, vibrato discreto”. (gemini.google)
- Estruture a música com tempo. Use marcadores como [0:00, 0:10] para indicar intro, verso e refrão, definindo clímax e respiro. A API mostra exemplos exatamente nesse formato. (ai.google.dev)
- Diga se quer vocal ou instrumental. O Gemini expõe esse controle diretamente na interface, o que acelera iterações e testes A/B. (gemini.google)
- Escreva no idioma desejado. A Lyria 3.5 adapta vocais e pronúncia ao idioma do prompt, útil para campanhas multilíngues. (ai.google.dev)
Integrações e pipeline sugerido para times
- Descoberta e prototipagem no Gemini. Criar rascunhos rápidos com templates, testando variações e aprovando direção musical. (gemini.google)
- Versionamento no Google Vids. Consolidar versões, notas e cortes junto com roteiro e arte. Governança melhora e o time evita silos. (workspace.google.com)
- Produção e automação via API. Aplicativos próprios, estúdios virtuais e plataformas de edição podem acionar a Lyria 3.5 para gerar variações por cena, idioma e duração, com exportação em lote. A documentação cobre extração de áudio e exemplos em múltiplas linguagens. (ai.google.dev)
- Refinos no Flow Music. Para artistas, o Flow Music oferece um ambiente dedicado à música com ferramentas complementares. (flowmusic.app)
Limitações e boas práticas
Embora a Lyria 3.5 eleve o patamar de realismo vocal e controle criativo, o próprio Google DeepMind lembra que o modelo ainda tem limitações e que vale revisar cuidadosamente se a faixa final atende à visão do projeto. Em produções profissionais, a recomendação é manter um ciclo de feedback, comparar versões e fazer ajustes finos de mix e master após exportar o áudio. (deepmind.google)
Do ponto de vista legal, o uso de IA musical exige atenção a políticas de plataforma, direitos de uso e distribuição, especialmente em campanhas pagas, sincronizações com imagens de arquivo e catálogos de terceiros. As marcas d’água e as verificações ajudam, mas não substituem due diligence de licenças e termos de uso. O ganho de eficiência da Lyria 3.5 incentiva criar trilhas originais e documentar prompts, versões e aprovações, o que protege tanto a marca quanto os criadores.
Conclusão
A disponibilidade da Lyria 3.5 no app Gemini e na Gemini API acelera a criação de trilhas originais, com ganhos concretos em vocais, musicalidade e controle de duração. Para criadores, marcas e desenvolvedores, o ambiente unificado com templates, controle vocal versus instrumental, geração multilíngue e integração com AI Studio, Flow Music e Google Vids resulta em um pipeline mais previsível e produtivo. (blog.google)
O próximo passo é explorar a Lyria 3.5 de forma intencional. Prompts detalhados, verificação por SynthID e processos claros de aprovação tornam a adoção segura e estratégica. Em um mercado cada vez mais audiovisual, quem dominar a combinação de direção criativa e ferramentas como a Lyria 3.5 tende a entregar mais, com consistência e velocidade. (deepmind.google)
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