Bibliotecários fazem 'Avoiding AI' para desativar Apple Intelligence e Gemini
Bibliotecas dos EUA lotam com workshops Avoiding AI, ensinando passo a passo como desativar Apple Intelligence e Google Gemini, além de práticas de privacidade e controle.
Danilo Gato
Autor
Introdução
Workshops Avoiding AI estão lotando bibliotecas dos Estados Unidos, com salas cheias de pessoas interessadas em entender e, quando fizer sentido, desativar Apple Intelligence e Gemini. A tendência ganhou manchetes no dia 25 de julho de 2026, quando o TechCrunch relatou como profissionais da informação estão guiando o público por configurações e atalhos que reduzem a exposição a recursos de IA.
A força do movimento está no equilíbrio entre alfabetização digital e autonomia. Em vez de demonizar a tecnologia, bibliotecários mostram como as ferramentas funcionam, para então ensinar como desligar o que o usuário não quer, desde sugestões de escrita a integrações de chatbot. Resultados práticos, filas de espera e transmissões por Zoom confirmam a demanda por uma rota clara, objetiva e transparente para lidar com IA no dia a dia.
O que está por trás da explosão dos workshops Avoiding AI
O TechCrunch descreveu cenas que viraram rotina, instrutores pedindo que todos tirem o celular do bolso, abrindo configurações e desativando Apple Intelligence e o Gemini, em encontros batizados de Avoiding AI. O caso da bibliotecária Hannah Cyrus, em Bangor, Maine, virou referência, depois que turmas de 30 vagas encheram e migraram para o Zoom, somando cerca de 70 participantes por sessão. Em Filadélfia, Charlie Bailey replicou o formato e teve de abrir uma segunda data, depois que o post no Instagram da biblioteca ultrapassou 2 mil curtidas.
O impulso vem de uma frustração crescente com recursos de IA ativados por padrão ou fortemente sugeridos. Em aula, surgem perguntas diretas, por que o e‑mail tenta se escrever sozinho, por que aparece um resumo de uma mensagem curta, por que o teclado insiste em completar frases com um tom que não é do usuário. Ao mesmo tempo, os próprios facilitadores destacam usos benéficos, como OCR para digitalizar acervos, e mantêm o foco na ideia central, oferecer controle e escolha.
Por que agora: Apple Intelligence, Gemini e a ansiedade do usuário
Apple Intelligence, anunciado no ciclo de 2026 da empresa, colocou recursos generativos mais visíveis em iPhones, iPads e Macs, com promessas de privacidade no dispositivo e chamadas seletivas à nuvem. A chegada foi acompanhada por comunicados oficiais e páginas de privacidade que explicam como os dados são processados e como desativar compartilhamentos de analytics. Esse contexto elevou a curiosidade, e também as dúvidas, sobre o que realmente roda e como desligar partes específicas.
Do lado do Google, o Gemini se espalha por buscas, apps e integrações no Android e no Chrome, o que levou muitos participantes a pedir um roteiro para reduzir respostas generativas no cotidiano. Os workshops Avoiding AI respondem a esse cenário com um mapa mental simples, entender primeiro, então decidir o que manter e o que desativar. Relatos em agregadores e veículos que repercutiram a pauta confirmam o interesse do público em instruções práticas, sem alarmismo.
Como funcionam os workshops Avoiding AI, na prática
O formato mistura explicação e mão na massa. Primeiro, conceitos essenciais, o que é um modelo generativo, quando o processamento é local, quando vai para a nuvem, que dados podem ser usados para melhorar produtos. Em seguida, checklists interativos, começando por iPhone, iPad e Mac, passando por Android e Chrome. Cyrus e Bailey apresentam tela por tela, com orientações objetivas, além de truques úteis, como o parâmetro de busca que oculta blocos de IA em resultados do Google.
Nos encontros, a ideia de evitar IA é tratada como alfabetização digital, não como rejeição de tecnologia. A meta é reverter a sensação de adoção forçada, resgatando a agência do usuário. A American Library Association reforçou essa abordagem em 16 de julho de 2026, ao aprovar uma orientação sobre IA em bibliotecas, com foco em princípios éticos e no desenho de políticas locais. Isso legitima workshops Avoiding AI como serviço público, dentro do papel histórico de mediação tecnológica das bibliotecas.
![Participantes ajustando configurações em biblioteca]
Passo a passo para reduzir ou desativar Apple Intelligence
Apesar de variações entre versões, há direções consistentes documentadas por veículos especializados e páginas oficiais. O TechCrunch e a WIRED reuniram rotas para desligar recursos de Apple Intelligence em iPhone, iPad e Mac, incluindo como impedir que extensões de terceiros, como ChatGPT, sejam acionadas pelo sistema. Os guias também indicam onde desativar o aprendizado por app e como revisar permissões.
- Ajuste de analytics e melhorias, em Ajustes, Privacidade e Segurança, Analítica e Melhorias, desligue o compartilhamento de analytics do dispositivo, um ponto citado na documentação de privacidade da Apple. Isso não desativa a IA, mas reduz dados agregados enviados para melhorias.
- Revisão de extensões, desative a extensão de ChatGPT para impedir que Siri recorra ao chatbot em respostas.
- Aprendizado por app, acesse cada app compatível e desligue “Aprender com este app”, quando disponível, para reduzir personalização e sugestões baseadas no uso.
- Botões de escrita e Genmoji, relatos em betas recentes indicam mudanças na forma de desligar ou esconder botões de IA, por isso convém verificar as opções mais novas após cada atualização. A experiência nos betas nem sempre reflete a versão pública estável, então confirme nas notas finais de lançamento.
Para quem busca um roteiro didático consolidado, organizações ligadas à privacidade de bibliotecas publicaram folhas de referência, com telas e caminhos de menu. Esses materiais, usados por muitos facilitadores, organizam os cliques em sequência, do geral ao específico.
E para o lado do Google, como reduzir o impacto do Gemini
Os workshops Avoiding AI também cobrem o ecossistema Google, já que o Gemini aparece em buscas, no Android e no navegador. Conteúdos que repercutiram a tendência destacam a ênfase em autonomia, com dicas para limitar respostas generativas na busca, bem como a importância de revisar configurações de privacidade e personalização. As turmas querem o que é prático, opções claras e configuráveis.

Uma orientação recorrente é testar as configurações de Experimentos e privacidade na Busca, observar indicadores de IA nos resultados e preferências do navegador, além de gerenciar permissões do Assistente. Nas bibliotecas, o aprendizado é situacional, cada pessoa sai com um conjunto de ajustes compatível com seu perfil de uso, e sempre com o lembrete de que as interfaces mudam com frequência.
![Alunos conferindo o passo a passo no celular]
O papel estratégico das bibliotecas e o retorno da confiança
Os números reportados pelo TechCrunch apontam filas de espera, plateias presenciais e lives simultâneas, algo incomum para oficinas básicas de tecnologia em bibliotecas. Esse interesse sinaliza um ponto de inflexão, quando usuários pedem menos hype e mais controle, e quando instituições neutras e de confiança voltam a liderar conversas complexas sobre tecnologia. O público não está dizendo não à inovação, está pedindo autonomia.
A adoção do guia de IA pela American Library Association adiciona musculatura institucional. As recomendações falam em uso humano e ético, políticas locais claras e revisão contínua conforme práticas de fornecedores e necessidades comunitárias evoluem. Em linguagem simples, isso autoriza bibliotecas a ensinar o que o mercado muitas vezes não prioriza, como desligar recursos, minimizar coleta desnecessária e explicar de forma acessível por que certas telas aparecem.
Benefícios concretos para quem participa
- Mais clareza, entender o que cada função faz, quando está ativa e que dado pode ser processado localmente ou na nuvem.
- Menos distrações, reduzir sugestões intrusivas em e‑mail, teclado e captura de tela melhora o foco, algo que aparece em depoimentos coletados em reportagens e discussões públicas.
- Privacidade mais ajustada, desativar analytics e extensões externas, quando possível, limita superfícies de coleta e integração.
- Confiança restaurada, decidir o que fica ligado aumenta a percepção de controle sobre o dispositivo e o trabalho.
Riscos, limites e a realidade das versões beta
Nem tudo é tão simples quanto um botão mágico de desligar. Em versões beta do iOS e do macOS, usuários relataram mudanças e inconsistências em opções para desativar Apple Intelligence, o que reforça a importância de separar instruções estáveis daquilo que está em teste. Workshops Avoiding AI, ao vivo e atualizados, ajudam o público a navegar essa transição, sem criar promessas absolutas em cima de software em desenvolvimento.
Guias de veículos como TechCrunch e WIRED continuam úteis, mas é prudente confirmar telas e rótulos após cada atualização. Documentação oficial de privacidade da Apple complementa esse quadro, explicando o que pode ser desligado em analytics e como solicitar opções de opt‑out relacionadas a processamento. Em sala, os facilitadores reforçam essa checagem contínua.
Ferramentas, folhas de referência e o que levar para casa
Um diferencial dos workshops Avoiding AI é o kit de sobrevivência que o participante leva, com capturas de tela, lista de passos e links oficiais. Materiais de organizações como a Library Freedom ajudam a consolidar o caminho, de Ajustes gerais a switches específicos. Essa documentação em linguagem simples é valiosa para quem cuida do próprio dispositivo e para quem presta suporte a familiares e amigos.
A onda também gerou curadorias na imprensa e em sites de tecnologia com rotas diretas para desligar ou limitar IAs populares. O resultado é um ecossistema de ajuda que mistura jornalismo prático, orientações de privacidade das empresas e a mediação confiável das bibliotecas. Para o usuário, vale manter os PDFs por perto, criar um atalho de favoritos com links oficiais e revisar as preferências de tempos em tempos.
Reflexões e insights para o médio prazo
A presença dos workshops Avoiding AI sinaliza maturidade do mercado. Consumidores querem IA que some, não IA que se imponha. Quando recursos chegam sem aviso ou com rótulos confusos, a reação é buscar ajuda onde há confiança e neutralidade. Bibliotecas cumprem esse papel, porque explicam sem vender, desenham o mapa sem empurrar atalhos. O resultado é uma relação mais saudável com a tecnologia.
Do lado das empresas, o recado é claro, transparência e opt‑out bem desenhado não afastam o usuário, aproximam. Documentos públicos sobre Apple Intelligence mostram iniciativas de privacidade e limites claros de uso de dados agregados. Em paralelo, oficinas que ensinam a desligar uma função acabam oferecendo, por contraste, motivos para mantê-la ativada quando aporta valor real. Essa é a régua que importa, utilidade percebida pelo usuário.
Conclusão
Workshops Avoiding AI recolocam a biblioteca no centro da alfabetização digital, com impacto imediato, menos ruído e mais escolhas. As histórias de Bangor e Filadélfia mostram filas de espera e salas cheias, com gente de perfis diferentes querendo entender, passo a passo, como lidar com IA nos dispositivos e serviços cotidianos. É um fenômeno orgânico, pragmático e focado no que dá para fazer hoje.
O movimento deve continuar enquanto houver lacunas entre o que é prometido e o que o usuário encontra na prática. Transparência das empresas, políticas públicas claras e bibliotecas ativas formam o tripé que sustenta a confiança. Para quem busca autonomia imediata, vale acompanhar a agenda local, baixar as folhas de referência, e praticar os ajustes que combinam com o próprio uso, sem tudo ou nada, com informação e escolha no centro da experiência.
