CES 2026, ZDNet destaca tendências em dobráveis, IA e TVs
Antecipando o que chega a Las Vegas em 6 a 9 de janeiro de 2026, com foco em dobráveis, inteligência artificial e TVs, e como essas frentes podem impactar consumo, trabalho e entretenimento.
Danilo Gato
Autor
Introdução
CES 2026 é a palavra-chave que domina o calendário de tecnologia no início do ano. A feira está marcada para 6 a 9 de janeiro em Las Vegas, com Media Days em 4 e 5 de janeiro, o que coloca o mercado em modo lançamento para dobráveis, TVs e soluções de IA que prometem chegar rapidamente às lojas.
A Consumer Technology Association confirmou datas, keynotes e a abertura do show floor, além de reforçar o status do evento como vitrine global. Entre os destaques oficiais, a palestra de abertura da AMD com Lisa Su no dia 5 de janeiro e keynotes de Siemens, Lenovo e outros nomes sinalizam que IA aplicada, digital twins e novas interfaces estarão no centro das novidades.
Este guia prático resume as principais tendências em dobráveis, IA e TVs que ganharam força nos últimos meses e que devem pautar a CES 2026, com dados, exemplos e implicações de mercado para orientar decisões de produto, marketing e compras.
Dobráveis ganham formatos e propostas mais úteis
A categoria de dispositivos dobráveis chega à CES 2026 com mais opções e formatos. Rumores sólidos e reportagens recentes apontam um novo tipo de aparelho da Samsung, o Wide Fold, pensado para competir diretamente com o suposto iPhone dobrável, ambos com telas internas de proporção 4:3 para leitura, design e produtividade melhores. A expectativa de lançamento é para 2026, o que dá à CES o palco perfeito para protótipos e demos.
No curto prazo, a Samsung já tirou o tri-dobrável do papel, com o Galaxy Z TriFold anunciado para 2025 e com previsão de chegada aos Estados Unidos no começo de 2026. O aparelho abre para um painel de 10 polegadas, mira multitarefa e experiência desktop com DeX, e reforça a estratégia de dobráveis voltados a produtividade. Em paralelo, reportagens do Wall Street Journal destacam o peso, preço e posicionamento desse formato, ainda premium, mas com potencial para ampliar participação de mercado.
Para o ecossistema Android, esse avanço importa por uma razão prática, aplicativos e interfaces otimizadas para 4:3 tendem a se consolidar, reduzindo barras pretas e melhorando leitura e edição de imagens e documentos. A consequência direta é pressão por software adaptável, do desenho responsivo às automações com IA em telas múltiplas.
![Dobráveis, formatos 4:3 e usabilidade]
A competição também chega aos laptops e consoles portáteis, com vazamentos e prévias de um laptop gamer com tela OLED rolável da Lenovo e um Legion Go 2 com SteamOS. A ideia é clara, expandir área útil de tela sob demanda, sem abandonar a portabilidade. Mesmo como conceito, aponta para uma direção, mais displays adaptáveis e menos comprometimento com um único formato físico.
O que observar na feira, além de protótipos funcionais, é a maturidade do ecossistema de acessórios, capas, teclados e canetas que transformam os dobráveis em estações de trabalho móveis. Se o 4:3 se consolidar, marcas de produtividade terão um incentivo extra para trazer layouts otimizados e atalhos gestuais consistentes entre apps.
TVs e telas, brilho, precisão de cor e novas arquiteturas
As TVs entram em 2026 com duas frentes técnicas chamando atenção, novos painéis e áudio mais flexível. Do lado dos painéis, a LG Display vem sinalizando uma evolução de WOLED com arquitetura Tandem, empilhando camadas emissivas para melhorar brilho, eficiência e vida útil. A tecnologia deve figurar em destaque durante a CES 2026, com marcas buscando responder à Samsung e ao avanço do Mini LED.
Além de OLED, fabricantes testam caminhos de LED avançado. A LG tem gerado conversas sobre Micro RGB para TVs grandes, com promessa de atingir 100 por cento de BT.2020 e precisão validada por laboratórios independentes, algo que, se confirmado em modelos comerciais, mudaria a régua de cor e volume de cor no segmento premium. Há ceticismo saudável em torno de imagens de divulgação, mas a direção, mais controle por zona e cores mais puras, é tecnicamente consistente com a evolução dos backlights RGB.
Outro vetor são soluções como caixas de conexão sem fio e telas antirreflexo. Em 2025, TechRadar já havia apontado uma corrida entre LG e Samsung por caixas wireless que liberam a TV da poluição de cabos, tendência que deve escalar para modelos mais acessíveis conforme custos caem. Para o usuário, a diferença é visual e de instalação, menos infraestrutura na sala, mais liberdade de layout.
Para quem trabalha com compras, a mensagem é simples, o mercado de TVs premium vai se dividir entre três promessas, OLEDs mais brilhantes e duráveis, Mini LED com mais zonas e menos blooming, e LEDs com arranjos RGB que miram volumes de cor recordes. A CES 2026 deve servir como termômetro de maturidade e preço desses caminhos.
Áudio imersivo e a sala sem fio inteligente
O áudio acompanha a evolução das telas. A LG revelou que sua linha 2026 de TVs e barras de som terá suporte nativo ao Dolby Atmos FlexConnect, um sistema que ajusta automaticamente a espacialização com alto falantes wireless posicionados livremente, sem AVR. O pacote inclui soundbar H7, alto falantes M5 e M7 e subwoofer W7, com calibração automática e até 13.1.7 canais. Isso muda a adoção de som imersivo, reduz o atrito de instalação e facilita upgrades incrementais.
Esse tipo de solução conversa com o movimento de caixas de conexão sem fio nas TVs e prepara terreno para residências com menos cabos, mais automação e orquestração por IA, seja para otimizar o som conforme a posição do ouvinte, seja para adaptar-se à acústica do ambiente em tempo real.
IA em tudo, da TV ao ecossistema casa-carro
A CES 2026 chega explicitamente posicionada como palco da IA aplicada, de agentes a copilotos embarcados. As comunicações oficiais do evento e a grade de keynotes colocam IA e digital twins no centro, com Siemens discutindo produção inteligente e a CTA reforçando que a edição 2026 abriga conversas sobre políticas públicas e tendências setoriais. Em paralelo, relatórios do roadshow do CES na Coreia apontam uso crescente de IA generativa e o despertar para sistemas agentes, ainda pouco usados, mas com alta consciência entre profissionais.
Nas TVs, a IA deve aparecer em upscaling de vídeo, otimização de brilho e redução de reflexo, algo já visto em 2025 e que tende a ser refinado com novos processadores e modelos on device. Monitores e telas inteligentes também começam a adotar recursos de personalização e assistência, como otimização de imagem por conteúdo, perfis de usuário e automações que integram som e iluminação.

No lar conectado, fabricantes como TCL já cravaram um portfólio amplo de produtos com IA, de TVs a eletrodomésticos, e vão mostrar integrações entre casa, carro e dispositivos móveis, o que deve acelerar cenários de automação e interoperabilidade. Para quem implementa soluções, isso significa planejar rotas de compatibilidade, privacidade e atualizações de firmware desde o desenho do projeto.
Mobilidade e cockpit definido por software
Veículos definidos por software ganham espaço de destaque em Las Vegas. A programação oficial do evento traz keynotes e sessões que conectam IA a gêmeos digitais e manufatura, mas as propostas mais convincentes aparecem dentro da cabine, com experiências imersivas que personalizam som, imagem e serviços por perfil e contexto. Prévias indicam que a LG quer liderar a conversa com a ideia de Affectionate Intelligence e arquitetura de veículo definida por IA, combinando sensores, displays e processamento embarcado para adaptar a cabine a cada ocupante.
Para o consumidor final, isso tende a significar integrações mais fluidas entre o smartphone e o carro, com telas maiores, interfaces que lembram tablets 4:3 e experiências multimídia com som espacial sem fio que conversam com a casa.
PCs, telas roláveis e o elo com trabalho híbrido
Fora dos smartphones, o CES 2026 promete empurrar a fronteira de telas flexíveis no PC. Laptops com OLED rolável mostram como pode ser trabalhar com mais área útil em tarefas específicas e reduzir o footprint quando se precisa mobilidade. Mesmo como conceito ou série limitada, esse caminho acelera a experimentação de apps com layouts responsivos e widgets que aproveitam novos aspectos de tela. Para profissionais criativos, planilhas extensas e dashboards, a proposta é tentadora.
No ecossistema de produtividade, a pressão recai sobre fabricantes de software para entregar experiências consistentes em diferentes proporções e densidades de pixels, algo que volta para a tendência 4:3 nos dobráveis. Quanto mais coerentes forem os patterns entre PC, tablet e dobrável, maior a chance de adoção massiva desses formatos.
![CES no LVCC West Hall em 2025, termômetro de tendências]
TVs, cor e brilho, o que vai impactar a sala de estar em 2026
Na prática, três frentes devem pautar a compra de TVs premium no ciclo 2026, OLEDs Tandem mais brilhantes e eficientes, Mini LED com mais zonas e melhor controle de blooming e LEDs com backlight RGB buscando 100 por cento de BT.2020. A batalha técnica não é apenas de specs, é de custo e disponibilidade. Se WOLED Tandem escalar com yield competitivo, leva vantagem em contraste e uniformidade. Se o RGB backlight entregar a promessa de volume de cor e pico de brilho com eficiência, pode rivalizar OLED em ambientes iluminados. E se Mini LED reduzir blooming com mais zonas sem inflar consumo, segue como opção custo-benefício. A CES deve fornecer as primeiras pistas concretas de preço e cronograma de chegada.
No áudio, soluções como o Atmos FlexConnect da LG simplificam a jornada do usuário, removendo o maior gargalo de som imersivo, cabeamento e configuração. Para varejo, essa é uma história fácil de contar, posição livre de caixas, calibração automática, atualização por firmware. A elasticidade do sistema favorece tickets médios maiores, já que o consumidor pode começar com TV mais soundbar e adicionar caixas com o tempo.
Reflexões e insights de negócio
O recado de dobráveis em 2026 é utilidade. A virada para formatos mais quadrados e tri-dobrados mira produtividade real, não apenas efeito wow. Se a Apple confirmar presença no jogo com um formato 4:3, e a Samsung ancorar a narrativa com Z TriFold e Wide Fold, a categoria pode sair do nicho para algo próximo de 6 por cento de market share global até 2027, como projetam analistas citados pela imprensa. Para marcas e devs, isso significa compromisso com layouts adaptativos, caneta, arraste e soltar e multitarefa sem atrito.
Em TVs, 2026 tem cara de ciclo de atualização forte. Consumidores que adiaram a troca em 2024 e 2025 podem encontrar em janeiro especificações que justificam o upgrade, brilho mais alto sem perder preto, som imersivo fácil de instalar e telas menos reflexivas. Para fabricantes, a chave está em transparência nos dados, HDR de verdade com picos sustentados e garantias de burn-in em OLED que reduzam ansiedade pós-compra.
No campo da IA, a mensagem é pragmatismo, menos hype e mais automações que economizem tempo em tarefas cotidianas, do ajuste de imagem a rotinas domésticas. As comunicações da CTA e a pauta de palestras reforçam a ambição de tratar IA não como recurso isolado, mas como camada transversal a casa, carro e trabalho.
Como se preparar para a semana de lançamentos
- Ajuste o radar para 4 a 5 anúncios por dia nas Media Days, com destaque para displays, casa conectada e mobilidade, e bloqueie tempo para revisar keynotes, especialmente a de 5 de janeiro e as de Siemens e Lenovo. Isso dá contexto para decisões de compra e cobertura.
- Para TVs, liste prioridades por ambiente, brilho sustentado para salas iluminadas, volume de cor, antirreflexo, recursos de jogos. Planeje demonstrações comparativas com conteúdo HDR repetível.
- Em dobráveis, teste produtividade real, edição de documentos, caneta, janelas lado a lado e apps críticos do seu fluxo. Verifique acessórios e políticas de atualização de software, que são determinantes de experiência.
- Em áudio, simule posicionamentos reais dos alto falantes FlexConnect, valide calibração e latência, e desenhe pacotes por faixa de preço.
Conclusão
A CES 2026 deve consolidar três linhas mestras, dobráveis pensados para trabalho e leitura, TVs com salto em brilho e cor, e IA como camada invisível que simplifica a vida. O fio condutor é usabilidade. Cada avanço que reduz atrito de instalação ou de interface abre espaço para adoção em massa.
O passo seguinte é separar demonstração de valor real. A partir de 6 de janeiro, com o show floor aberto, o mercado terá dados para filtrar o que fica e o que foi apenas buzz de pré-estreia. Quem observar bem integração, interoperabilidade e clareza de specs vai fazer escolhas melhores, e 2026 pode se tornar um excelente ciclo de upgrade para casa, bolso e escritório.
