Demis Hassabis, CEO do Google DeepMind, em 2025
Tecnologia e IA

Chefe de IA do Google: sem anúncios no Gemini, Apple, robôs

Demis Hassabis afirmou em Davos que não há planos de anúncios no Gemini. A parceria com a Apple avança e a agenda de humanoides ganha tração, com impactos diretos em produtos e negócios.

Danilo Gato

Danilo Gato

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21 de janeiro de 2026
10 min de leitura

Introdução

Anúncios no Gemini não estão nos planos. A declaração partiu de Demis Hassabis, CEO do Google DeepMind, em conversa registrada durante o Fórum Econômico Mundial em Davos em 20 de janeiro de 2026. A posição contrasta com a estratégia da OpenAI, que iniciou testes de publicidade no ChatGPT para usuários dos planos Free e Go nos Estados Unidos.

O tema importa por afetar diretamente a experiência de usuário, a privacidade e a monetização de sistemas de IA generativa que já são usados por centenas de milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, o Google avança em um acordo com a Apple para usar Gemini em recursos como a nova Siri e Apple Intelligence, enquanto acelera sua aposta em robótica e humanoides com Gemini Robotics e parcerias com Boston Dynamics e Apptronik.

Este artigo analisa o posicionamento do Google sobre anúncios no Gemini, o acordo com a Apple, as consequências competitivas da publicidade no ChatGPT, além do progresso dos humanoides impulsionados por IA. Inclui dados recentes, implicações práticas para produto e marketing, e um olhar sobre o roadmap técnico público de modelos Gemini.

1. Sem anúncios no Gemini, por quê isso é estratégico

Demis Hassabis disse que o Google não tem planos de colocar anúncios no Gemini. O recado vem num momento em que a OpenAI prepara exibir anúncios para adultos nos Estados Unidos nos planos Free e Go, com rótulos claros, exibição abaixo das respostas e exclusões para tópicos sensíveis como saúde e política. Esse teste não afetará Plus, Pro, Business e Enterprise.

O contraste é relevante. No curto prazo, a ausência de anúncios no Gemini tende a simplificar a narrativa de privacidade e a reduzir ruído na interface, algo sensível em assistentes que conduzem tarefas e recomendações. Ao mesmo tempo, reforça a estratégia do Google de monetizar IA por meio de assinaturas, cloud e integração a produtos core, em vez de inserir publicidade diretamente no chatbot. A Economic Times reportou que Google e Anthropic não planejam anúncios em chatbots, divergindo da OpenAI.

Para equipes de produto, essa diferença sugere duas experiências emergentes. Na OpenAI, anúncios contextuais podem virar parte do fluxo de descoberta. No Google, Gemini permanece sem anúncios, enquanto Search continua a evoluir com AI Overviews e outras superfícies de monetização já maduras, com ganhos de escala e distribuição. A página oficial do Google relata expansão de Gemini 2.0 em AI Overviews e o novo AI Mode, consolidando o papel da IA dentro do ecossistema de busca.

2. OpenAI testa publicidade no ChatGPT, impactos e limites

A OpenAI detalhou que os testes de anúncios aparecerão no fundo das respostas, com transparência sobre por que o anúncio foi exibido, opções de feedback e controle de personalização. A empresa afirma que os anúncios não influenciam as respostas e não serão mostrados a menores de 18 anos, nem próximos a temas sensíveis. É um piloto restrito aos Estados Unidos, voltado a ampliar o acesso gratuito e sustentar custos.

Coberturas independentes reforçam esse recorte e apontam expectativas de receita de alguns bilhões de dólares em 2026, podendo chegar a dezenas de bilhões até 2030, embora analistas sugiram que Alphabet e Meta não devam se preocupar no curto prazo devido a vantagens de distribuição e ad tech. É um mercado nascente, com formatos e mensuração ainda em definição.

Para marcas, o aprendizado tático é testar criativos conversacionais e medir incremental de consideração quando houver patrocínios contextuais em chats. Para plataformas, o desafio é conciliar utilidade e confiança, já que poluição de interface e percepção de viés podem prejudicar adoção. Aqui, a escolha do Google por não ativar anúncios no Gemini reduz risco de fricção, principalmente em tarefas críticas como planejamento, resumo de e-mails e navegação multimodal.

3. O acordo Google e Apple, o que muda no iPhone

A parceria entre Apple e Google para usar Gemini em recursos como Siri e Apple Intelligence foi confirmada publicamente em 12 de janeiro de 2026, com declaração conjunta que descreveu a tecnologia do Google como a base mais capaz para os Apple Foundation Models. Relatos da imprensa especializada indicam valores estimados entre 1 bilhão de dólares por ano e até 5 bilhões no total, dependendo do escopo de computação em nuvem, embora as empresas não tenham divulgado números oficiais.

Esse alinhamento coroa um movimento observado desde 2024, quando surgiram negociações para levar Gemini ao iPhone, e foi reforçado por falas públicas de Sundar Pichai em 2025 sobre a ambição de integrar Gemini como opção embutida no ecossistema Apple. Para a Apple, a decisão equilibra performance de LLMs e privacidade operacional por meio do Private Cloud Compute, além de manter porta aberta para transição futura a modelos próprios. Para o Google, validação técnica, receita de cloud e, principalmente, distribuição.

Do ponto de vista de produto, a integração pode acelerar experiências de assistente pessoal com contexto, como “Personal Intelligence” do Gemini, que já acessa Gmail, Fotos, Search e YouTube com consentimento e rastreabilidade de fontes. A TechRadar aponta que a funcionalidade está em beta, focada em transparência e controles. Isso conversa com o DNA da Apple de consentimento explícito e privacidade por padrão.

![Logo do Google Gemini]

4. Roadmap e ciclo de vida do Gemini, o que desenvolvedores precisam saber

Para times técnicos, o ecossistema Gemini mantém um ritmo acelerado de versões, com a série 2.5 nos sabores Pro e Flash amplamente referenciada como base estável em 2025, enquanto a série 3 introduziu recursos de raciocínio e níveis de thinking em modo preview. Há também um calendário de deprecações com janelas de migração e recomendações de upgrade em APIs públicas. Esses documentos sinalizam a cadência de evolução e prazos mínimos de suporte por geração.

Em paralelo, as comunicações oficiais destacam novos modos, como Gemini 2.0 Flash Thinking, e a disponibilidade de 2.5 Pro experimental no app e em plataformas como Vertex AI e AI Studio, indicando um caminho de maior raciocínio, grounding com Search e integração com dados do usuário e da empresa. Para equipes que dependem de estabilidade, a leitura dos changelogs e das tabelas de depreciação é essencial para evitar que quebras de compatibilidade afetem produtos em produção.

Ilustração do artigo

5. Humanoides e Gemini Robotics, do laboratório à fábrica

O Google DeepMind lançou em março de 2025 o Gemini Robotics e o Gemini Robotics‑ER, modelos voltados a controle de robôs no mundo físico, com demonstrações de destreza em tarefas como dobrar origami e manipulação precisa. O objetivo é generalidade, interatividade e destreza, com adaptação a diferentes formas, de braços biarticulados a humanoides como o Apollo da Apptronik. A CNBC e o blog oficial detalham a parceria com a Apptronik, testes com múltiplas plataformas e o foco em raciocínio incorporado.

A TechCrunch e a Ars Technica registraram que o Gemini Robotics melhora a generalização em testes e executa comandos por voz para tarefas inéditas, usando um modelo visão‑linguagem‑ação. O site público do projeto lista a versão 1.5 como a mais capaz na prévia privada, com documentação de capacidades e uso multi embodiment. Isso sugere um caminho em que um único backbone de IA aprende mais rápido ao operar em diferentes corpos robóticos.

O tema humanoides ganhou ainda mais tração em janeiro de 2026. Boston Dynamics anunciou avanço do Atlas para produto industrial, com planos de operação em fábricas da Hyundai a partir de 2028, e premiação de melhor robô do CES 2026. Relatos citam parceria com Google DeepMind para dotar humanoides de modelos de fundação de IA, alinhando controle, percepção e destreza com segurança operacional.

![Humanoide Atlas, Boston Dynamics]

Do lado competitivo, Tesla, Figure e outros players disputam pilotos em logística e manufatura. Contudo, a capacidade de generalizar habilidades e reduzir tempo de treinamento operacional segue como linha de corte para adoção. A leitura prática aqui é direcionar pilotos para tarefas de alto valor, baixo risco e ambientes controlados, com SLAs realistas, teleoperação de contingência e métricas de sucesso claras.

6. Mercado de trabalho, privacidade e o papel da distribuição

Em Davos, líderes de IA, incluindo Demis Hassabis e Dario Amodei, discutiram efeitos da automação em vagas de entrada, com sinais iniciais de impacto em estágios e funções júnior. A previsão de requalificação estrutural e necessidade de políticas públicas volta à pauta conforme modelos ganham agência prática e chegam ao chão de fábrica e backoffice.

Quanto à privacidade, o acordo Apple‑Google é um termômetro. A Apple mantém controle sobre dados via Private Cloud Compute, e a indicação pública de que a tecnologia do Google é a mais capaz para os Apple Foundation Models aponta equilíbrio entre performance e governança. A Fortune e a MacRumors sintetizam o racional estratégico e a leitura de mercado, com analistas vendo reforço na confiança do investidor sobre a durabilidade de distribuição do Google.

No campo de distribuição, o Google tem vantagem sistêmica ao integrar IA em Search, Android, Maps e YouTube. Mesmo sem anúncios no Gemini, a captura de valor ocorre ao tornar esses produtos mais úteis, gerando novas superfícies de engajamento e comércio. Em paralelo, a OpenAI ganha um novo canal de monetização, testando formatos publicitários conversacionais e aprendendo rápido com feedback. O resultado provável para 2026 é convivência de modelos de receita, com pouca canibalização imediata dos incumbentes de ads.

7. Aplicações práticas para times de produto, marketing e TI

  • Para produto. Em ecossistemas Google, explorar Gemini para personalização com consentimento, como no “Personal Intelligence”, priorizando auditoria de fontes e controles de privacidade. Em iOS, acompanhar o rollout da integração Apple‑Google e prever cenários de fallback caso políticas de dados mudem. Planejar migrações entre versões Gemini conforme os prazos públicos de depreciação.
  • Para marketing. Testar criativos em ambientes de chat quando disponíveis na OpenAI, com mensuração de lift incremental e experimentos de jornada. No Google, focar em superfícies existentes com IA em Search e Shopping, que já contam com inventário robusto, antes de apostar em publicidade dentro de chatbots.
  • Para TI e segurança. Adotar políticas de classificação de dados e segregação entre uso de IA para produtividade e para treinamento de modelos. Para robótica, começar por pilotos com tarefas de baixo risco e ambientes sem público, com teleoperação pronta e rollback definido.

8. O que observar nos próximos meses

  • Evolução do piloto de anúncios no ChatGPT, métricas de satisfação e mudanças de formato. Sinais de expansão para outros países e verticais regulados.
  • Cronograma de recursos Apple‑Google, incluindo marcos da nova Siri e uso do Gemini em fluxos de multi step planning, resumo e automações.
  • Roadmap público do Gemini, com a série 3 e mudanças em cobrança de grounding com Search, afetando custos de produção de respostas com fontes.
  • Progresso de Gemini Robotics e pilotos industriais com humanoides em parceiros como Boston Dynamics e Apptronik, observando indicadores de confiabilidade e segurança.

Conclusão

O posicionamento do Google de não exibir anúncios no Gemini define uma diferença clara de experiência em relação à OpenAI, que passa a testar publicidade no ChatGPT. A estratégia do Google prioriza monetização indireta via produtos e cloud, enquanto reforça privacidade e simplicidade na interface do assistente. Esse recorte fica ainda mais relevante diante do acordo com a Apple, que amplia distribuição e valida capacidades técnicas do Gemini.

Ao mesmo tempo, o avanço de Gemini Robotics e parcerias com fabricantes de humanoides indicam que a próxima fronteira de valor está na convergência entre software e mundo físico. Os próximos trimestres devem mostrar um mercado de IA com modelos de receita diversos, marcos técnicos em raciocínio e grounding, e pilotos robóticos saindo do laboratório. Para empresas, a recomendação é pilotar com foco em utilidade, medir com rigor e evoluir o stack com atenção ao ciclo de vida dos modelos.

![Demis Hassabis em 2025]

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