Como citar o ChatGPT e outras IAs no TCC: o que a ABNT e a universidade exigem
Danilo Gato
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Não existe (ainda) uma norma ABNT feita especificamente para citar ChatGPT, Claude ou Gemini. O que universidades e bibliotecas usam hoje é uma adaptação de duas normas que já existem: a NBR 10520:2023, pra citar no corpo do texto, e a NBR 6023:2025 (a versão mais recente, publicada em maio de 2025), pra montar a referência completa no fim do trabalho, tratando a IA como um software ou documento eletrônico. Na prática isso significa: no texto você cita (OPENAI, 2026) ou o nome da empresa por trás da ferramenta, e na lista de referências você registra o desenvolvedor, o nome e a versão do sistema, o que foi perguntado, e a data de acesso. Além da citação, a maioria das universidades brasileiras (USP, Unesp, Unicamp entre elas) também exige uma declaração explícita de uso, separada da citação. Os dois modelos completos estão abaixo.
Existe uma norma ABNT específica pra citar inteligência artificial?
Não. A ABNT ainda não publicou uma norma exclusiva pra ferramentas de IA generativa. O que existe são duas normas de 2023 e 2025 que bibliotecas universitárias e comitês de pós-graduação adaptaram pra cobrir esse caso:
- NBR 10520:2023 (substituiu a versão de 2002): rege como citações aparecem DENTRO do texto.
- NBR 6023:2025 (terceira edição, publicada em 21 de maio de 2025): rege como a REFERÊNCIA completa aparece na lista final do trabalho.
A lógica que as universidades adotaram é tratar a resposta da IA como um documento eletrônico ou software, seguindo a estrutura que a NBR 6023 já usa pra citar programas de computador e bases de dados online: quem é o responsável (a empresa desenvolvedora), qual é o sistema e a versão, quando a informação foi gerada, e onde acessar.
Como citar o ChatGPT (ou outra IA) dentro do texto
Segue a mesma lógica de citação autor-data da NBR 10520:2023, usando o nome da empresa desenvolvedora como “autor”:
- Citação indireta: (OPENAI, 2026)
- Citação com o nome no corpo da frase: “Segundo resposta gerada pelo ChatGPT (OPENAI, 2026), […]”
Pra Claude, o autor vira ANTHROPIC; pra Gemini, GOOGLE. O ano é o ano em que você gerou aquela resposta específica, não o ano de lançamento da ferramenta.
Como montar a referência completa (a parte que ninguém explica direito)
Aqui é onde a maioria trava, porque não tem um exemplo pronto pra copiar. A estrutura, adaptada da NBR 6023:2025 pra documento eletrônico/software, é:
EMPRESA. Nome da ferramenta: versão. Resposta a: [resumo da pergunta feita].
Local: Empresa, ano. Disponível em: [link]. Acesso em: [data].
Exemplo real, pronto pra adaptar:
OPENAI. ChatGPT: GPT-5. Resposta a: quais são as causas da inflação de
custos no Brasil pós-pandemia. São Francisco: OpenAI, 2026. Disponível
em: https://chat.openai.com. Acesso em: 24 ago. 2026.
Pra Claude:
ANTHROPIC. Claude: Sonnet 5. Resposta a: como funciona o efeito estufa
na atmosfera terrestre. São Francisco: Anthropic, 2026. Disponível em:
https://claude.ai. Acesso em: 24 ago. 2026.
Pra Gemini:
GOOGLE. Gemini: 3 Pro. Resposta a: diferenças entre economia de mercado
e economia planificada. Mountain View: Google, 2026. Disponível em:
https://gemini.google.com. Acesso em: 24 ago. 2026.
O campo “Resposta a” é o que mais gente esquece, e é justamente o que documenta o quê exatamente você perguntou, o que ajuda a mostrar que o uso foi pontual (uma dúvida específica) e não a ferramenta escrevendo o trabalho inteiro por você.
Só citar já basta, ou preciso declarar o uso separadamente?
Precisa dos dois, e são coisas diferentes. A citação (no texto e na referência) documenta de onde veio uma informação específica. A declaração de uso é uma seção à parte, geralmente logo depois da introdução ou nos agradecimentos/metodologia, onde você explica de forma geral como usou IA no trabalho como um todo. Universidades como USP, Unesp e Unicamp já exigem essa declaração explícita, mesmo quando o uso foi só pra revisão de texto ou brainstorming, sem gerar conteúdo citável diretamente. Um modelo simples de declaração:
“Durante a elaboração deste trabalho, o autor utilizou a ferramenta [nome da IA] para [função específica: revisão gramatical, tradução de trechos, organização de referências, brainstorming de estrutura]. Todo o conteúdo analítico e as conclusões apresentadas são de responsabilidade do autor.”
Adapte o colchete pro que você realmente fez. Declarar uso genérico demais (“usei IA para me ajudar”) é mais fraco do que especificar a função, porque mostra pra banca que você sabe exatamente onde a ferramenta entrou e onde não entrou.
Isso muda se eu usar Claude ou Gemini em vez do ChatGPT?
Não muda a estrutura, só o nome da empresa e da ferramenta nos dois lugares (citação e referência), como nos exemplos acima. O que muda de verdade é o cuidado que você precisa ter: nenhuma dessas ferramentas consulta bases acadêmicas como SciELO, Google Scholar ou periódicos da CAPES em tempo real por padrão, elas geram texto plausível a partir do que aprenderam no treinamento. Isso significa que é comum uma IA inventar nome de autor, título de artigo e até DOI que não existem. Nunca cite um artigo científico “encontrado” pela IA sem confirmar que ele realmente existe e que o DOI é válido, pesquisando ele diretamente na fonte original antes de colocar na sua lista de referências.
Os erros mais comuns na hora de formatar
Depois de ver os exemplos, vale saber onde a maioria erra na prática:
- Citar só “ChatGPT (2026)” sem o nome da empresa. A norma trata a IA como um documento eletrônico, e o responsável pela ferramenta (OpenAI, Anthropic, Google) é quem entra como autor, não o nome comercial do produto sozinho.
- Usar o ano de lançamento da ferramenta em vez do ano em que você gerou a resposta. Se você conversou com a IA em 2026, o ano da citação é 2026, mesmo que o modelo tenha sido lançado antes.
- Esquecer o campo “Resposta a”. Sem ele, a referência fica genérica demais e não documenta o que de fato foi perguntado, que é a parte que mostra pra banca que o uso foi específico.
- Misturar a citação com a declaração de uso, tratando as duas como a mesma coisa. São documentos diferentes com funções diferentes, e a maioria dos comitês de pós-graduação pede as duas separadamente.
- Não guardar o link ou o histórico da conversa. Diferente de um artigo publicado, uma resposta de IA não fica arquivada num lugar público e permanente, então se você não salvar a conversa, não tem como provar depois o que foi perguntado e respondido.
Perguntas frequentes
Preciso citar a IA mesmo se só usei pra revisar a gramática do texto?
Não precisa de citação formal (não tem informação factual vindo da IA), mas ainda entra na declaração de uso, já que a maioria das universidades pede transparência sobre qualquer uso de IA no processo, não só quando ela gera conteúdo citável.
O que acontece se a banca perguntar sobre o uso de IA na apresentação?
Você precisa conseguir mostrar a pergunta original e a resposta completa que recebeu, então guarde o histórico de conversa (Google Docs e a maioria das plataformas de IA mantêm isso automaticamente) até a defesa terminar.
Posso usar a IA pra escrever um trecho inteiro e só citar depois?
Não. Tanto a norma quanto as políticas universitárias tratam isso como diferente de citar uma informação pontual: gerar seções inteiras e apresentar como autoria própria é o tipo de uso que motiva acusação de má conduta acadêmica, mesmo com citação. Se você foi acusado injustamente disso sem ter feito, o manual de defesa que escrevi sobre esse tema explica que provas reunir e como conversar com o professor.
Onde encontro as regras de uso de IA da minha universidade específica?
A maioria publica isso na página da pró-reitoria de pós-graduação ou no manual de normalização de trabalhos da biblioteca. Se não encontrar nada explícito, pergunte direto ao orientador antes de entregar, porque a ausência de regra escrita não significa ausência de expectativa.
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