Estudantes em sala de aula usando laptops, em auditório universitário
Educação e IA

Estudo OECD PISA: alunos que usam IA pontuam pior, mas treinamento crítico ajuda

Dados globais do PISA 2025 indicam queda no desempenho entre estudantes que usam IA sem orientação, enquanto capacitação para avaliar respostas da IA melhora notas e reduz riscos.

Danilo Gato

Danilo Gato

Autor

10 de setembro de 2026
10 min de leitura

Introdução

Alunos que usam IA tendem a pontuar pior nas avaliações, mas quando recebem treinamento para avaliar criticamente as respostas da IA, o desempenho melhora. A conclusão vem do PISA 2025, programa global da OCDE, e ganhou destaque em 9 de setembro de 2026 na The Verge. O recado é simples, a tecnologia sozinha não faz milagre, o fator determinante é como a IA é usada, com que frequência e sob quais orientações. (theverge.com)

O estudo reuniu dados de mais de 760 mil estudantes de 91 países, testando ciências, matemática e leitura. Entre os achados, a OCDE mostra que alunos que nunca usam IA em tarefas tendem a ir melhor em ciências do que os que usam, inclusive após ajustes socioeconômicos, embora nuances importem, por exemplo, uso moderado e com foco em aprender tem efeito diferente de uso para resumir textos ou redigir tarefas. (theverge.com)

O que o PISA 2025 realmente mediu sobre IA

O PISA 2025 é a primeira edição pós-popularização da IA generativa, e incorpora indicadores de uso de IA, frequência e atividades digitais de aprendizagem. A OCDE disponibilizou relatório completo, sumário executivo e até o conjunto de dados para análise independente. Em ciências, a média nos países da OCDE ficou em 482 pontos, com tendência de queda modesta desde 2015. O relatório observa que a relação entre uso de IA e desempenho é complexa e depende do propósito e da prática pedagógica. (oecd.org)

Além das provas cognitivas, os questionários investigam como os estudantes interagem com ferramentas digitais. Os dados mostram que 45,5 por cento dos estudantes usam IA ao menos semanalmente para aprender, e 62,6 por cento dizem ter feito em aula atividades de avaliação de informação online, um indicador associado a melhor desempenho médio em ciências. (oecd.org)

O que os dados mostram quando alunos que usam IA entram em cena

A síntese publicada pela The Verge destaca o padrão geral, alunos que usam IA para estudar obtêm, em média, notas piores do que os que não usam, sobretudo quando o uso é para tarefas como resumir leituras obrigatórias ou redigir trabalhos. Quando os alunos relatam usar IA para apoio mais amplo, como “me ajudar a aprender”, a queda relativa é menor. Ao ajustar por nível socioeconômico, a conclusão se mantém, e a frequência de uso também pesa, extremos como quase nunca usar ou usar diariamente se associam a piores resultados do que uso semanal ou mensal. (theverge.com)

A OCDE corrobora que, em média, alunos que não usam chatbots para tarefas escolares pontuam mais alto do que os usuários, e que quem usa IA semanalmente “para ajudar a aprender” tende a apresentar desempenho semelhante aos não usuários quando controlado por perfil socioeconômico. Isso indica que a chave não é proibir, e sim orientar para objetivos pedagógicos, com foco em aprendizagem ativa. (oecd.org)

Por que treinamento crítico em IA muda o jogo

Quando escolas pedem que os alunos avaliem a qualidade de informações online e das respostas geradas por IA, o quadro melhora. A The Verge relata que, com essa formação, usuários frequentes de IA para aprender superam não usuários. O diretor de educação e competências da OCDE, Andreas Schleicher, resume a lógica, aprendizagem exige esforço cognitivo produtivo, se a tecnologia encurta esse processo, o desenvolvimento sofre, se potencializa o esforço, os alunos avançam. (theverge.com)

Nos materiais oficiais, a OCDE reforça esse ponto, fazer tarefas de avaliação crítica de informação está positivamente associado ao desempenho em ciências na média da OCDE. Em outras palavras, letramento em IA não é opcional, é pré-requisito para que alunos que usam IA convertam a ferramenta em ganho real de aprendizagem. (oecd.org)

Frequência, propósito e tipo de tarefa fazem diferença

Nem todo uso de IA é igual. Os dados apontam que recorrer à IA para atalhos, como resumir textos que deveriam ser lidos ou para redigir o trabalho, tende a se correlacionar com pior desempenho. Já uso orientado para explorar conceitos, testar hipóteses, pedir pistas de estudo ou estruturar um plano de resolução de problemas apresenta efeito menos negativo, por vezes neutro, quando combinado com verificação e reflexão. A frequência também importa, uso extremo diário ou esporádico anual aparece associado a piores resultados, ao passo que semanal ou mensal se sai melhor. (theverge.com)

Há uma explicação pedagógica consistente com estudos anteriores da OCDE, tecnologia sem intencionalidade raramente eleva resultados e, em alguns contextos, piora. A estrutura de avaliação de “Aprender no mundo digital” do PISA destaca que o objetivo é medir se o aluno sabe aprender com tecnologia, não apenas usar a ferramenta. Isso inclui planejar, monitorar e checar a qualidade do que a IA retorna. (oecd.org)

Quem usa mais IA, diferenças entre países e perfis

O uso de IA varia muito entre países e perfis socioeconômicos. A cobertura da The Verge cita contraste expressivo, mais de 95 por cento dos estudantes no Vietnã relataram usar IA, contra cerca de 60 por cento no Japão. De forma geral, alunos de contextos mais favorecidos usam mais IA, algo ligado a acesso a dispositivos, internet estável e planos pagos. (theverge.com)

As páginas de dados da OCDE permitem explorar indicadores por país e confirmam que a proporção de alunos que não usam IA ainda é relevante em alguns sistemas, enquanto em outros o não uso é residual. Esse mosaico demanda políticas locais, mas com um princípio comum, integrar letramento em IA ao currículo e formar professores para orquestrar o uso. (gpseducation.oecd.org)

Curiosidade em alta entre usuários de IA, mas nem sempre vira nota

Um achado curioso, relatado pela The Verge, é que níveis de curiosidade tendem a ser maiores entre usuários de IA, especialmente os de uso diário. Isso não garante melhor desempenho automático, sugere apenas que há uma disposição para explorar, que precisa ser canalizada para práticas de estudo que preservem o esforço produtivo, leitura atenta, resolução ativa de problemas e checagem de fontes. (theverge.com)

Ilustração do artigo

Esse ponto dialoga com análises públicas recentes de Andreas Schleicher sobre o equilíbrio entre facilidade e aprendizagem, quando a IA substitui a luta cognitiva, a compreensão aprofunda menos, quando estrutura o caminho e exige validação, a aprendizagem se consolida. (oecd.org)

Implicações para escolas, professores e famílias

  • Estabelecer metas de aprendizagem explícitas para tarefas com IA. Definir o que deve ser feito pelo aluno, o que pode ser mediado pela IA e como evidenciar processo, esboços, rascunhos e justificativas. Isso reduz o atalho de “responder por mim” e incentiva reflexão. Evidências do PISA associam essas práticas a melhor desempenho. (oecd.org)
  • Ensinar verificação de respostas da IA. Incluir rotinas como pedir referências, checar consistência com o livro texto e buscar confirmações em fontes confiáveis. A associação positiva entre avaliar informação e notas mais altas é clara no relatório. (oecd.org)
  • Moderar frequência e propósito. Evitar dependência diária para tudo e desestimular o uso apenas para atalhos. O uso semanal focado em “me ajudar a aprender” aparece como o mais seguro academicamente. (theverge.com)
  • Tratar equidade de acesso. O uso é maior entre alunos favorecidos, mas desempenho não melhora automaticamente. Políticas devem priorizar letramento em IA e infraestrutura, garantindo que alunos de todos os perfis aprendam a usar a ferramenta com senso crítico. (theverge.com)
  • Acompanhar políticas locais. Em sistemas que discutem restrições de IA por etapa de ensino, como redes públicas em grandes cidades, decisões costumam evoluir de proibições amplas para modelos com permissões orientadas por objetivos pedagógicos. Monitorar e ajustar diretrizes com base nas evidências do PISA ajuda a evitar extremos ineficazes. (axios.com)

Boas práticas de sala de aula para alunos que usam IA

  • Roteiro de estudo estruturado, começar com leitura ativa, anotações próprias e só então pedir à IA que gere perguntas de checagem, resumos comparativos ou mapas conceituais, sempre validando contra a fonte original. Evidências da OCDE apontam que tarefas de avaliação crítica elevam o desempenho. (oecd.org)
  • Rubricas claras, avaliar processos e não apenas produtos. Pedir rascunhos, registros de pesquisa e justificativas. Incentivar o aluno a explicar onde a IA ajudou, o que foi confirmado e o que foi corrigido manualmente.
  • “Dupla verificação” obrigatória, quando a IA fornece resposta factual, exigir pelo menos duas fontes independentes para confirmação, especialmente em ciências e estudos sociais.
  • Aprendizagem baseada em problemas, usar a IA para gerar pistas, analogias e diferentes abordagens, mas cobrar a resolução passo a passo feita pelo aluno, reforçando o esforço cognitivo. As estruturas do PISA 2025 enfatizam exatamente essas competências de aprender com tecnologia. (oecd.org)

Métricas que importam, como monitorar progresso com IA

  • Qualidade da evidência, percentual de trabalhos com referências verificáveis e coerentes.
  • Profundidade de entendimento, uso de perguntas orais, quizzes sem IA e tarefas em sala para aferir domínio.
  • Autonomia crescente, observar se o aluno passa a fazer melhores perguntas e a depender menos de sugestões prontas da IA.
  • Equidade de participação, garantir que alunos com menor acesso fora da escola tenham experiências significativas com IA em aula, com orientação adequada.

Perguntas frequentes de gestores e professores

  • A escola deve proibir IA em todas as séries, os dados não apoiam proibições genéricas. A correlação negativa aparece quando o uso é mal orientado, frequente como atalho e sem avaliação crítica. Diretrizes claras e ensino de checagem de qualidade mitigam o risco. (theverge.com)
  • IA melhora desempenho em quais condições, quando usada moderadamente para aprender, com treinamento para avaliar informações e com tarefas que exigem explicação, comparação de fontes e resolução ativa de problemas. (oecd.org)
  • Existem diferenças entre países, sim, variam desde sistemas onde quase todos usam IA até outros com grande parcela de não usuários. Políticas precisam refletir esse contexto e priorizar letramento em IA. (gpseducation.oecd.org)

O que observar nos próximos meses

A OCDE abriu o banco de dados do PISA 2025 para exploração detalhada por pesquisadores, e novas análises por país, série e perfil devem surgir. O debate público também evolui, com mais redes redesenhando políticas para equilibrar inovação e integridade acadêmica. Em paralelo, relatórios da OCDE seguem destacando que IA avança rapidamente em tarefas de leitura e ciências, o que torna ainda mais urgente ajustar currículos, avaliação e formação docente. (oecd.org)

Conclusão

O PISA 2025 entrega um alerta prático para quem lida com educação, alunos que usam IA sem orientação têm maior chance de pontuar pior. O contraponto é animador, quando escolas ensinam a avaliar a informação e a usar a tecnologia a serviço do esforço cognitivo, o desempenho melhora e o risco de atalho preguiçoso diminui. A palavra de ordem é letramento em IA, com objetivos pedagógicos claros e métricas de acompanhamento. (theverge.com)

A discussão não é sobre ser contra ou a favor da tecnologia. É sobre ensinar alunos que usam IA a pensar melhor, fazer melhores perguntas e consolidar conhecimento com checagem e prática. Com dados abertos e evidências crescentes, redes que moverem rápido em formação docente, diretrizes equilibradas e avaliação crítica tendem a colher ganhos reais de aprendizagem, sem terceirizar o raciocínio para a máquina. (oecd.org)

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