Placa de TPU v4 com componentes e resfriamento a líquido
IA e Computação

Frozen v2 do Google roda Gemini 10x mais eficiente até 2028

Projeto Frozen v2 pretende gravar partes do blueprint do Gemini diretamente no silício, prometendo salto de eficiência para inferência de IA em data centers já no horizonte de 2028.

Danilo Gato

Danilo Gato

Autor

6 de agosto de 2026
10 min de leitura

Introdução

Frozen v2 do Google é o novo codinome que aqueceu o mercado de IA. Relatos apontam que esse chip, pensado para gravar no silício aspectos do blueprint do modelo Gemini, pode tornar a inferência até dez vezes mais eficiente e chegar aos data centers a partir de 2028. (theinformation.com)

O interesse é direto, eficiência energética e custo por token são hoje as métricas que definem quem escala IA com sustentabilidade. A proposta do Frozen v2 é reduzir decisões em tempo de execução ao incorporar no hardware partes do fluxo do modelo, o que corta movimentos de dados e latências internas. Isso é diferente de TPUs e GPUs genéricas, que mantêm alta flexibilidade, porém gastam ciclos decidindo caminhos de execução para qualquer modelo. (theinformation.com)

Este artigo explica por que o chip especializado pode mudar o jogo, como ele se encaixa na linha de TPUs do Google, quais ganhos práticos esperar, onde estão os riscos e como times técnicos podem se preparar agora, com ações tangíveis que já trazem retorno nas plataformas atuais do Google Cloud.

1. O que é o Frozen v2, como difere de TPUs e por que isso importa

A reportagem original descreve um servidor com um novo chip, informalmente chamado Frozen v2, que embute no silício partes do blueprint do Gemini, cortando overhead e deslocamentos de dados. A estimativa de engenheiros envolvidos fala em ganhos de 6 a 10 vezes em tokens por watt em relação às TPUs mais recentes, com alvo de implantação a partir de 2028. Não há confirmação oficial de especificações, o projeto está em definição sobre quanto do modelo ficará fixo. (theinformation.com)

A diferença conceitual é clara. TPUs v5e, v5p e v6e, também chamadas Trillium, são aceleradores programáveis que servem múltiplos modelos via frameworks como JAX, XLA e vLLM. O Frozen v2 seria mais próximo de um ASIC com partes de dataflow dedicadas ao Gemini, menos flexível, mas potencialmente muito mais eficiente para cargas específicas de inferência. (cloud.google.com)

Esse trade off é conhecido em arquitetura, flexibilidade cai, eficiência e custo por unidade de trabalho sobem. É a mesma lógica que fez TPUs vencerem CPUs e GPUs em tarefas de inferência no início da adoção, como documentado no estudo clássico de 2017. (cs.cmu.edu)

2. Linha do tempo e sinais do mercado

Os relatos apontam o alvo de 2028 para início de implantação, com impacto imediato na percepção do mercado sobre custos de IA em larga escala. A notícia movimentou papéis de Alphabet, refletindo expectativa de melhora estrutural em tokens por watt e tokens por dólar. (theinformation.com)

A cobertura adicional de veículos como TechCrunch, Tom’s Hardware, Techmeme e agências Reuters reforça o mesmo quadro, projeção de 6 a 10 vezes mais eficiência e decisão pendente sobre quanto hardwiring será aplicado. Isso sugere um projeto vivo, balanceando performance, risco tecnológico e compatibilidade com futuras gerações do Gemini. (techcrunch.com)

No contexto competitivo, outras big techs também investem em silício de inferência. A parceria OpenAI e Broadcom para um chip otimizado, com implantação a partir de 2026 em data centers, mostra a direção da indústria. O diferencial do Google está no controle do stack completo, do modelo ao data center, o que historicamente rendeu saltos de eficiência. (openai.com)

3. Onde o Frozen v2 se encaixa na evolução de TPUs

Para entender o impacto, vale posicionar o Frozen v2 na evolução recente. O Google treinou e serve a família Gemini em TPUs v4, v5e e v5p, enquanto a geração v6e, Trillium, elevou computação por chip em 4,7 vezes sobre v5e com melhorias de HBM, mantendo foco em eficiência. Benchmarks publicados pelo Google Cloud mostram ganhos materiais de custo e velocidade, como 2 vezes em treinamento no v5p sobre v4 e otimizações de inferência em v5e. (cloud.google.com)

Essa trajetória está documentada em papers técnicos, com estabilidade arquitetural de supercomputadores de TPU da v2 até plataformas recentes, crescimento de 100 vezes em pico por nó e 3600 vezes em performance agregada em cinco gerações. O Frozen v2 seria um ramo especializado dessa árvore, priorizando inferência de modelos Gemini. (arxiv.org)

Do lado operacional, a infraestrutura de data center do Google alcança PUE médio de 1,09 na frota de 2025, o que amplifica o efeito de um chip mais eficiente sobre a pegada energética total. Eficiência de chip sem eficiência de instalação não captura o benefício completo, por isso a estratégia full stack importa para o TCO. (datacenters.google)

4. O que significa gravar o blueprint do modelo no silício

A ideia central é reduzir branches e movimentações de dados que ocorrem quando o hardware precisa decidir a cada etapa como executar as operações do modelo. Se partes do grafo ou do agendamento estão fixas no chip, o caminho de dados fica mais curto e previsível, a hierarquia de memória pode ser usada de modo mais determinístico e as unidades de computação trabalham com menos ociosidade. O resultado aparece em tokens por watt e tokens por segundo, que são as métricas que pagam a conta da inferência. (theinformation.com)

Em termos práticos, antecipar no hardware certos padrões do Transformer, como projeções, atenção com janelas e layouts de KV cache, pode poupar acessos a HBM e interconexões, dois dos maiores consumidores de energia em inferência. A literatura de TPU já discute como topologia e interconexão afetam throughput, e o anúncio da geração Trillium reforça ganhos de banda e capacidade de HBM como alavancas chave. Fixar partes do fluxo no silício é o próximo passo lógico. (cloud.google.com)

Há um porém, modelos evoluem. Por isso, o equilíbrio entre o que fica gravado e o que permanece programável será decisivo para que o Frozen v2 não se torne obsoleto caso arquiteturas do Gemini mudem. Os relatos confirmam que essa fronteira está em estudo. (theinformation.com)

Ilustração do artigo

5. Ganhos de eficiência, custo e sustentabilidade

Os relatos falam em 6 a 10 vezes mais tokens por unidade de energia do que as TPUs atuais. Se essa faixa se confirmar, o custo por milhão de tokens cai de forma significativa, com efeito imediato em margens de produtos baseados em LLM. Somado à infraestrutura com PUE de 1,09, o ganho compõe uma equação favorável de TCO e emissões. Estudos recentes do Google apontam reduções expressivas de energia e carbono por prompt do Gemini graças a melhorias de software, hardware e energia limpa. Um chip especializado pode adicionar outro degrau. (tomshardware.com)

Vale lembrar que a evolução de TPUs já entregou 4,7 vezes mais computação por chip na passagem v5e para v6e, mais 2 vezes em velocidade de treinamento do v5p sobre v4 em cenários internos, e melhorias de performance por dólar em modelos abertos como Gemma. O Frozen v2 surfaria essa onda com foco específico na inferência do Gemini. (cloud.google.com)

6. Limites, riscos e o que empresas podem fazer agora

Especialização reduz flexibilidade. Se o Frozen v2 gravar demais, versões futuras do Gemini podem exigir revisões de silício. Se gravar de menos, o salto de eficiência pode ficar aquém do potencial. Os relatos indicam que a equipe ainda calibra esse ponto. É um risco tecnológico conhecido, porém mitigável com ciclos de silício de alguns anos e camadas de software que abstraem particularidades de execução. (theinformation.com)

Enquanto o chip não chega, há ganhos imediatos ao otimizar no stack atual do Google Cloud. Pontos práticos que têm mostrado resultado em clientes e cases públicos incluem, escolher a família de TPU correta para o perfil, v5e para eficiência por dólar em inferência e fine tuning leve, v5p para treino pesado, v6e para mais largura de banda e capacidade de HBM. Configurar corretamente o particionamento, a malha, o batch e o KV cache traz ganhos expressivos. Benchmarks do Google e cases como Lightricks e Character.AI mostram acelerações relevantes. (cloud.google.com)

Outra frente é eficiência operacional, consolidar cargas, agendar janelas de pico, aplicar quantização apropriada e aproveitar upgrades do serviço gerenciado. O Google tem documentado metodologias para medir impacto ambiental de inferência, o que ajuda a construir business cases com números de energia e água. Isso apoia a priorização de workloads que mais se beneficiam de otimizações. (cloud.google.com)

7. O cenário competitivo e o efeito no ecossistema

O anúncio informal do Frozen v2 surge em um momento em que várias empresas avançam em chips próprios. A colaboração OpenAI e Broadcom para chips de inferência com implantação planejada a partir de 2026 reforça a tese de silício sob medida para LLMs. No lado da oferta pública de nuvem, a vantagem do Google é a integração ponta a ponta. Na prática, quem usa Google Cloud recebe ganhos contínuos por software e orquestração, antes mesmo de trocar de hardware. (openai.com)

No mercado de desenvolvedores, a disponibilidade de infraestrutura de alto desempenho, como as VMs com TPU v5p e v6e, acelera ciclos de P&D e time to market. Papers técnicos recentes sobre Gemma 4 relatam os ajustes de stack necessários para servir e treinar de forma eficiente em TPUs, algo que tende a se simplificar com mais integração no stack e, no futuro, com especialização no silício. (arxiv.org)

8. Como se preparar para um mundo com chips de modelo gravado no silício

  • Padronizar métricas de negócio, tokens por dólar, tokens por watt, latência P50 e P99, para comparar de forma limpa v5e, v5p, v6e e, no futuro, Frozen v2.
  • Investir em engenharia de inferência, KV cache, quantização, batching dinâmico e graph capture. Ganhos obtidos hoje serão compatíveis conceitualmente com o chip especializado, que também busca reduzir overhead de dados.
  • Planejar portabilidade de modelos, manter caminhos de fallback entre v5e, v5p, v6e e GPU, já que especialização aumenta dependência de uma arquitetura.
  • Acompanhar publicações técnicas do Google sobre Trillium, Hypercomputer e práticas de eficiência. Elas antecipam onde o silício irá se apoiar. (cloud.google.com)

Reflexões e insights ao longo do caminho

A especialização do Frozen v2 pode inaugurar uma nova categoria, chips com blueprint de modelo embutido que entregam ordens de grandeza de eficiência para uma família específica de LLMs. Isso não acaba com TPUs e GPUs, mas cria um degrau de custo que torna certos produtos viáveis. Em mercados sensíveis a custo por sessão, como buscas com IA, agentes de produtividade e atendimento massivo, 6 a 10 vezes de eficiência podem ser a diferença entre piloto e escala. (tomshardware.com)

Outro ponto é o acoplamento entre modelo e silício. Se a evolução do Gemini for incremental, o chip pode manter relevância por vários anos. Se surgir uma mudança arquitetural brusca, o benefício diminui. A mitigação está em gravar operações e padrões estáveis do Transformer, e deixar no software o que ainda é zona de inovação rápida. Os relatos indicam que essa é exatamente a linha de discussão. (theinformation.com)

Conclusão

O Frozen v2 do Google representa uma leitura clara do momento, a conta da inferência domina o P&L da IA em escala. Ao gravar partes do blueprint do Gemini no silício, o projeto mira reduzir movimentação de dados e decisões em tempo de execução, atacando os maiores vilões do consumo energético. Se os ganhos reportados se confirmarem, 6 a 10 vezes em tokens por watt, produtos antes inviáveis podem se tornar lucrativos. (tomshardware.com)

Até lá, há muito a ser feito em TPUs atuais. Trillium traz salto de compute e HBM, v5p acelera treinamento, v5e segue referência em eficiência por dólar. Com boas práticas de engenharia e medições consistentes, equipes já colhem ganhos agora e pavimentam a migração para o Frozen v2 quando ele chegar, potencialmente a partir de 2028. (cloud.google.com)

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