IA para menor de 18 anos: qual aceita adolescente, o que muda na conta e como o responsável autoriza
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IA para menor de 18 anos: qual aceita adolescente, o que muda na conta e como o responsável autoriza

Danilo Gato

Autor

25 de setembro de 2026
8 min de leitura

Resposta rápida

Depende da IA. O ChatGPT aceita adolescente de 13 a 17 anos com permissão do responsável, e a OpenAI tem controles parentais para vincular as duas contas. O Gemini também pede 13 anos ou mais para conta Google comum, e abaixo disso só funciona com conta supervisionada pelo Family Link, onde o responsável liga e desliga o acesso. O Claude exige 18 anos completos, sem exceção nem autorização dos pais.

Na prática: se o seu filho tem 13 ou mais, você tem dois caminhos oficiais (ChatGPT e Gemini). Se tem menos de 13, só o Gemini pelo Family Link. E se ele já usa o Claude com a conta de um adulto, vale saber que a Anthropic derruba conta que parece ser de menor.

Eu sou o Danilo Gato, fundador da CPDF (Comunidade Profissionais do Futuro - por Danilo Gato), e recebo essa pergunta toda semana de pai e mãe que não sabem por onde começar. Este guia junta as regras de cada plataforma, o que muda na conta de adolescente e o passo a passo para você, responsável, autorizar do jeito certo. Atenção: essas regras mudam com frequência. As informações abaixo valem para 25 de setembro de 2026, e a fonte de cada uma é a página oficial da empresa.

Qual é a idade mínima de cada IA?

IA Idade mínima Quem autoriza Controle do responsável
ChatGPT (OpenAI) 13 anos Pais ou responsável, pelos termos de uso Vínculo entre contas, com horário de silêncio, memória e imagem desligáveis
Gemini (Google) 13 anos na conta Google comum; abaixo disso, conta supervisionada Responsável, pelo Family Link Liga e desliga o Gemini por criança
Claude (Anthropic) 18 anos Não existe autorização de responsável Não se aplica

Um detalhe que pouca gente sabe: os termos do ChatGPT exigem a permissão dos pais entre 13 e 17 anos, mas o serviço não confere se ela existe de verdade. A regra está escrita, a checagem quase não acontece. Por isso o vínculo de contas importa: é ele que transforma “autorizei de boca” em controle real.

Meu filho adolescente pode ter conta de IA?

Pode, dentro das regras acima. E ele provavelmente já usa. Segundo o Pew Research Center, em pesquisa com adolescentes americanos de 13 a 17 anos, 26% já usaram o ChatGPT para tarefas escolares, o dobro dos 13% medidos em 2023 (pesquisa divulgada em janeiro de 2025). O número é dos Estados Unidos, mas o comportamento se repete por aqui: a IA entrou na rotina de estudo antes de a família decidir o que fazer com ela.

O que eu recomendo para quem tem adolescente em casa:

  1. Crie a conta junto com ele. Sente ao lado, use o e-mail dele e a data de nascimento verdadeira. Data falsa parece atalho, mas desliga as proteções de adolescente e ainda pode dar problema quando a plataforma checar a idade.
  2. Vincule a sua conta à dele onde existir esse recurso (ChatGPT e Family Link do Google).
  3. Combine o uso antes, não depois do problema. Escrevi sobre isso em Meu filho faz a lição com ChatGPT: o que proibir, o que permitir e o que ensinar.
  4. Reveja as configurações de privacidade de tempos em tempos, principalmente as de treino com as conversas, que explico em A IA treina com o que eu escrevo? Como desligar no ChatGPT, Claude e Gemini.

Como o responsável autoriza no ChatGPT?

O ChatGPT tem duas camadas de proteção para menores.

A primeira é o controle parental, lançado pela OpenAI no fim de setembro de 2025. Você vincula a sua conta à do adolescente e ganha estes ajustes:

  • horário de silêncio, em que o ChatGPT fica indisponível;
  • desligar o modo de voz;
  • desligar a memória e a geração de imagens;
  • tirar a conversa dele do treinamento dos modelos;
  • reduzir conteúdo sensível, como desafios virais, romance ou violência em interpretação de personagem e padrões de beleza extremos.

Uma coisa que preocupa muito pai e mãe: você não lê as conversas do seu filho. A OpenAI decidiu manter a privacidade delas. O que existe é um aviso ao responsável quando o sistema identifica sinais de que o adolescente pode estar pensando em se machucar. Se o seu objetivo era vigiar, o recurso não entrega isso. Se era ter uma rede de segurança, entrega.

A segunda camada é a previsão de idade. O ChatGPT usa sinais da conta (tempo de uso, horários, padrão das conversas e a idade informada) para estimar se quem está do outro lado tem menos de 18 anos. Na dúvida, ele ativa a experiência para adolescentes, com bloqueio de conteúdo sexual explícito e alguns limites de recurso. Quem é adulto e foi classificado errado confirma a idade com uma selfie por um serviço parceiro chamado Persona.

O passo a passo, em resumo: abra as configurações do ChatGPT, procure a área de controles parentais, convide a conta do seu filho e peça que ele aceite. O vínculo só vale depois do aceite dele.

Como o responsável autoriza no Gemini?

O Google resolve pelo Family Link, o aplicativo de supervisão que muita família já tem no celular da criança.

  • Menor de 13 anos: a criança usa o Gemini numa conta supervisionada, e você liga ou desliga o acesso no Family Link, em Controles, Gemini, Aplicativos do Gemini. O acesso está sendo liberado aos poucos, então pode não aparecer para você ainda.
  • 13 a 17 anos: a conta Google já registra a idade, e o Gemini entrega a versão de adolescente automaticamente. Segundo o Google, menores de 18 anos não geram imagens no Gemini.
  • Onde não funciona: o Google avisa que os aplicativos do Gemini não estão disponíveis para contas supervisionadas no Espaço Econômico Europeu, na Suíça e no Reino Unido. No Brasil, isso não se aplica.

Se a criança usa um e-mail escolar, o cenário muda: quem manda é a escola, que administra o Google Workspace e escolhe o que liberar. Para entender esse caso, veja Gemini for Education: o que a escola com Google Workspace já tem de graça. Se você quer conhecer a ferramenta antes de liberar, tem o guia Como usar o Gemini.

Por que o Claude é só para maiores de 18?

A Anthropic exige 18 anos completos e não abre exceção com autorização dos pais. A empresa mantém sistemas que detectam sinais de que um menor pode estar usando e desativa a conta nesses casos. Na versão para celular, o bloqueio pode vir da própria loja de aplicativos: quando a Apple ou o Google identifica que a conta do aparelho é de menor, o Claude nem deixa criar a conta ou entrar.

Se você é adulto e caiu nesse bloqueio por engano, existem dois caminhos:

  • Conta desativada por suspeita de menor: você recebe um e-mail para comprovar a idade pela Yoti, com selfie (estimativa facial, sem documento), foto de documento ou identidade digital. A Anthropic informa que a Yoti apaga selfie e documento assim que a idade é conferida, e que a empresa só recebe o resultado de aprovado ou reprovado.
  • Bloqueio vindo da loja de aplicativos: a Anthropic não altera esse dado. Quem corrige é o suporte da Apple ou do Google Play, e em conta de família o responsável pode precisar ajudar.

Se o problema for outro tipo de bloqueio, veja Sua conta de IA foi suspensa: os motivos reais do bloqueio.

O que a lei brasileira diz sobre IA e menores?

Desde 17 de março de 2026 vale o ECA Digital (Lei 15.211/2025), o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente. Ele alcança produtos e serviços digitais direcionados a crianças e adolescentes ou com acesso provável por eles, inclusive de empresas estrangeiras. Três pontos importam para quem tem filho em casa:

  • Idade não pode ser só declarada. A lei veda a autodeclaração e exige métodos confiáveis de verificação. Só perguntar “você tem mais de 18 anos?” deixa de bastar.
  • Contas de até 16 anos vinculadas a um responsável. O artigo 24 manda os provedores garantirem que a conta de criança e adolescente de até 16 anos esteja ligada à conta de um responsável legal.
  • Supervisão parental acessível, clara e sem custo. A ferramenta de controle tem que ser oferecida de graça.

O lado honesto da história: as regras técnicas complementares da ANPD, a autoridade que fiscaliza a lei, sobre padrões de verificação de idade e supervisão parental ainda estavam pendentes de edição nas análises que consultei. Ou seja, a lei está valendo, mas o jeito exato de cada plataforma cumprir ainda está sendo desenhado. Você vai ver os aplicativos mudando aos poucos.

Se o seu interesse é escola, a parte de dados de aluno menor de idade está detalhada em Política de uso de IA na escola.

E se meu filho tem menos de 13 anos?

O ChatGPT não é feito para menores de 13, e o Claude só para adultos. Sobra o Gemini com Family Link, com a conta supervisionada por você. Para essa faixa, minha sugestão é usar a IA junto com a criança, em tarefas de criação: contar uma história, montar um desenho para colorir, brincar de perguntas. Tenho dois guias que servem de ponto de partida, IA para criar história infantil e Desenho para colorir com IA. Nada de deixar a criança sozinha com o chat aberto.

Checklist para o responsável

  1. Confirme a idade mínima da IA que a criança quer usar (tabela acima).
  2. Use a data de nascimento real, sempre.
  3. Vincule as contas: convite no ChatGPT, Family Link no Gemini.
  4. Desligue memória, voz e imagem se você achar cedo para o perfil dele.
  5. Converse sobre o que a IA erra: ela inventa fonte, número e citação com a mesma confiança de quando acerta.
  6. Em vez de proibir tudo, combine para que serve: entender matéria, sim; entregar trabalho pronto, não.
  7. Volte a conferir a cada semestre, porque as plataformas mudam as regras, e a lei brasileira ainda está sendo regulamentada.

Se você quer escolher a IA certa para a família ou para o trabalho, o comparativo ChatGPT, Gemini ou Claude: qual IA usar para cada tarefa ajuda.

Transparência: o autor deste artigo, Danilo Gato, fundou a CPDF (Comunidade Profissionais do Futuro). As regras de cada plataforma vêm das páginas de ajuda e dos comunicados oficiais da OpenAI, do Google e da Anthropic, além do texto da Lei 15.211/2025 e do Pew Research Center, consultados em 25 de setembro de 2026.

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