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Tecnologia e IA

Merriam-Webster elege slop, IA ruim, Palavra do Ano 2025

Slop, termo que define conteúdo de IA de baixa qualidade, foi escolhido como a Palavra do Ano de 2025 pelo Merriam-Webster, refletindo a preocupação global com a enxurrada de material automatizado.

Danilo Gato

Danilo Gato

Autor

4 de janeiro de 2026
8 min de leitura

Introdução

Merriam-Webster palavra do ano 2025 slop chega com um recado direto ao núcleo do ecossistema digital. O dicionário definiu slop como conteúdo digital de baixa qualidade produzido, em geral, em grande quantidade por inteligência artificial, e declarou o termo como a Palavra do Ano de 2025. A publicação detalha a evolução histórica da palavra e o salto semântico que a conectou ao momento atual, com anúncio em 14 de dezembro de 2025.

A decisão não veio do nada. Segundo a Associated Press, que antecipou a notícia em entrevista com o presidente do Merriam-Webster, Greg Barlow, a popularização do termo acompanha o aumento de buscas e do uso em conversas sobre o impacto de IA generativa no cotidiano. O próprio dicionário reforça que a escolha combina dados de pesquisa por termos com a avaliação editorial de que slop sintetiza o ano.

Além da palavra principal, a lista de destaques de 2025 trouxe sinais do espírito do tempo. Entraram expressões como 6-7, performative, touch grass e gerrymander. O conjunto funciona como um painel da cultura digital, da política e do comportamento, útil para quem trabalha com mídia, tecnologia e linguagem.

O que slop significa no contexto da IA

Slop, na definição moderna adotada pelo Merriam-Webster, é conteúdo digital de baixa qualidade produzido em quantidade, geralmente com ferramentas de IA. O significado se apoia em um percurso histórico, já que slop designava lama macia no século 18 e, mais tarde, restos de comida e coisa sem valor. A ressignificação para a era da IA captura uma sensação pública de saturação e cansaço com material automático que tenta imitar o humano.

A Associated Press reforça esse enquadramento. Na reportagem, Barlow descreve como a palavra funciona quase como um antídoto irônico diante das promessas de superinteligência, apontando que nem tudo que sai de modelos generativos é brilhante. A matéria também explica o processo de escolha anual do dicionário, baseado em volume de buscas e curadoria editorial que mira o termo mais representativo do ano.

Essa convergência de dados de uso com julgamento humano é relevante. Indica que, para além do hype, existe uma necessidade prática de distinguir entre conteúdo útil e ruído. Para equipes de produto, editores, profissionais de marketing e desenvolvedores, rotular e filtrar slop vira parte do trabalho diário.

Por que o termo ganhou força em 2025

Em 2025, a produção em massa por IA avançou em velocidade e escala. Plataformas reduziram o custo de gerar artigos, vídeos curtos e imagens. O resultado foi um feed mais volumoso e, muitas vezes, menos confiável. A cobertura de veículos americanos destaca que o termo cresceu junto com o incômodo do público e de profissionais com peças que parecem plausíveis, mas são rasas ou incorretas. PBS, CBS e outros canais reproduziram o anúncio, citando a definição do dicionário e o raciocínio por trás da escolha.

A palavra do ano não é um prêmio para quem cria conteúdo ruim. É um espelho. É um lembrete de que o aumento da oferta não garante qualidade e de que moderação, curadoria e práticas editoriais continuam essenciais, mesmo em um ambiente altamente automatizado. Para a indústria, o termo consolida um vocabulário comum para debater políticas de IA, transparência de origem e critérios de publicação.

Exemplos práticos do que vira slop

Os exemplos mais citados envolvem textos redundantes, imagens com artefatos visuais óbvios e vídeos verossímeis que distorcem fatos. O próprio Wikimedia Commons abriga coleções e debates sobre mídia gerada por IA, inclusive orientações sobre quando esse tipo de arquivo é aceitável para fins educativos. Isso ajuda a visualizar a fronteira entre uso informativo e ruído.

![Merriam-Webster logo]

Outro conjunto de arquivos mostra casos rotulados como AI slop por parecerem artificiais ou terem sido apontados na imprensa como gerados por IA. Esses acervos, com licenças públicas, viraram insumos para pesquisa e educação midiática. O ponto central é que o fenômeno não está restrito a nichos. Transborda para redes sociais, buscadores e marketplaces de conteúdo.

Como as redações e as marcas podem responder

A resposta mais eficaz combina processos, tecnologia e cultura. Quatro movimentos funcionam bem em organizações que precisam publicar com frequência:

  1. Política clara de uso de IA. Estabelecer quando a IA pode gerar rascunhos, quando deve apenas apoiar pesquisa e quando está proibida. Exigir revisão humana para todo conteúdo publicado e rotular saídas automatizadas quando aplicável. As diretrizes do Wikimedia sobre mídia gerada por IA são um bom exemplo de referência pública.

  2. Padrões editoriais objetivos. Definir critérios mensuráveis, como precisão verificável, originalidade e utilidade prática. Vincular cada publicação a fontes checáveis. O processo de escolha do Merriam-Webster, que mistura dados e curadoria, ilustra como decisões fundamentadas superam percepções vagas.

  3. Ferramentas de detecção e controle de qualidade. Aplicar checagem factual e revisão de estilo. Realizar amostragem de imagens com busca reversa para detectar possíveis derivações problemáticas. Os próprios debates de repositórios abertos sobre risco de obras derivadas servem de alerta para times jurídicos e de compliance.

Ilustração do artigo

  1. Métricas adequadas. Trocar vaidade por valor. Em vez de medir apenas volume e alcance, privilegiar tempo de permanência qualificado, taxa de retorno e feedback qualitativo. O objetivo é reduzir slop no funil e elevar a taxa de conteúdo memorável.

O que entra na lista do ano e por que importa

Além de slop, o dicionário destacou termos que explodiram em buscas. 6-7, por exemplo, viralizou como jargão autorreferente alimentado por redes sociais e música. Performative, touch grass e gerrymander compõem outras facetas do ano, entre cultura digital e política. A lista, publicada pelo Merriam-Webster, dá contexto para quem monitora linguagem e comportamento.

Essa leitura é útil para times de SEO e social. Detectar termos em ascensão permite mapear intenções, evitar armadilhas de buzzword e calibrar tom e glossário editorial. O que viraliza nem sempre vira tese. E o que importa para negócios é entender quando uma expressão representa mudança real de comportamento.

![Biblioteca digital futurista gerada por IA]

Riscos e oportunidades para plataformas e buscadores

A saturação de material automático pressiona ranking, recomendação e integridade de resultados. Plataformas que não distinguem com precisão entre conteúdo útil e slop diluem a confiança dos usuários. Por outro lado, há uma oportunidade clara para quem investir em sinais de qualidade, rotulagem de procedência e mecanismos de coleta de feedback que alimentem os modelos com dados de valor. A repercussão da escolha do Merriam-Webster em veículos como PBS e CBS mostra que o tema saiu das discussões técnicas e ganhou o noticiário, aumentando a cobrança por transparência.

Para marcas, o caminho passa por parcerias com publishers confiáveis, calibração de prompts, guarda‑chuva editorial e testes A B que medem não apenas conversão, mas também satisfação informada. Quando o produto editorial é consistente, a IA vira aliada na escala, não atalho para volume vazio.

O que muda para quem produz conteúdo

A rotina muda menos do que parece. Briefing mais sólido. Pesquisa com fonte. Argumento com dado. Revisão com método. A diferença é que agora existe uma linha conceitual clara para não atravessar: se a peça final não entrega precisão, utilidade e originalidade, ela se aproxima de slop. O selo da Palavra do Ano torna o termo parte do vocabulário do time, útil para dar nome ao problema e tratá-lo nos rituais de pauta e na análise pós-publicação.

Ferramentas generativas continuam valiosas no rascunho, brainstorming e adaptação de formato. O cuidado é não delegar o juízo crítico. A verificação humana ainda é a diferença entre produzir conhecimento e soltar mais ruído. As práticas citadas por repositórios e comunidades abertas em torno de IA mostram que a responsabilidade está menos na tecnologia e mais no uso que se faz dela.

Como comunicar melhor em 2026 usando o aprendizado de 2025

Três movimentos para entrar no novo ano com vantagem competitiva:

  • Assumir compromisso público com autenticidade e rotulagem de IA. Explicar ao público quando a IA foi usada, como o conteúdo foi revisado e por que se pode confiar no resultado. Isso reduz fricção e constrói reputação.
  • Investir em bibliotecas internas de fontes confiáveis e em guias de estilo que desencorajam clichês. O vocabulário que cresce em buscas não precisa virar muleta. Deve ser contexto para decisões melhores.
  • Medir a qualidade de forma longitudinal. Monitorar coorte de leitores, taxa de retorno e pesquisas de lembrança. Se a peça continua útil depois de semanas, passou longe de slop.

Conclusão

Slop como Palavra do Ano de 2025 não é apenas um diagnóstico do excesso de conteúdo fraco gerado por IA. É um convite a discriminar melhor entre escala e substância. Editores, marcas e plataformas que abraçam métricas de valor, revisão humana e transparência elevam o padrão e transformam a IA em alavanca de qualidade, não em fábrica de repetição.

O ciclo de 2025 fecha com uma palavra que escancara o problema e oferece um vocabulário comum para a solução. Em 2026, quem souber usar IA com método, curadoria e propósito vai colher resultados mais sólidos. O resto tende a ficar no grande balde do slop.

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