Meta planeja lançar um smartwatch ainda este ano, diz reportagem
Depois de cancelar um relógio em 2022, a Meta volta ao jogo dos wearables com um smartwatch focado em saúde e IA, mirando sinergia com os óculos Ray-Ban e um ecossistema no pulso
Danilo Gato
Autor
Introdução
Meta smartwatch no radar, e não é boato isolado. Reportagens apontam que a Meta pretende lançar um relógio inteligente ainda em 2026, com foco em saúde e recursos de IA, retomando um plano que havia sido engavetado em 2022. O dispositivo, citado com o codinome Malibu 2, chegaria antes de novos óculos de realidade mista, que teriam sido adiados para 2027.
A importância do movimento é clara, há uma corrida por wearables que conectem voz, visão, sensores de saúde e interfaces de controle mais naturais. Se a Meta der certo no relógio, ganha uma âncora diária para seus óculos com IA e para a estratégia de computação contextual que vem sendo construída em cima de EMG no pulso e do Ray‑Ban Display.
O artigo aprofunda quatro frentes, o que se sabe sobre o projeto, como ele se encaixa no ecossistema de óculos e pulseira neural, onde o mercado está crescendo ou retraindo, e como concorrentes como Apple, Google e Samsung reposicionam suas apostas.
O que se sabe até agora sobre o relógio da Meta
Indícios públicos e reportagens convergem em alguns pontos. Primeiro, a janela de lançamento mira 2026. Segundo, o foco recai sobre saúde e IA no dispositivo, algo que o aproxima do discurso atual de “assistência contextual” da empresa. Terceiro, o relógio teria papel tático de ponte entre o smartphone, os óculos Ray‑Ban Display e um futuro par de óculos de realidade mista, cuja chegada foi empurrada para 2027.
Esse recomeço vem depois de uma desistência importante. Em 2022, a Meta teria cancelado um protótipo com câmera dupla, em parte por desafios técnicos e custos, encerrando aquela fase do projeto. A memória desse recuo ajuda a colocar os rumores atuais em perspectiva, desta vez a empresa parece tratar o relógio como peça de um ecossistema mais amplo, não como um gadget isolado.
Nos bastidores, a primeira menção recente ao retorno do relógio partiu de uma apuração do The Information, que apontou metas internas para 2026. Mesmo sem acesso ao texto completo, a menção ganhou tração ao ser repercutida por veículos tech, reforçando a tese de que a Meta reativou o plano.
A peça que faltava para os óculos Ray‑Ban Display
O passo mais estratégico está na integração com os óculos Ray‑Ban Display. A Meta já posiciona esses óculos como “computação assistiva de curto olhar”, com display discreto, áudio, câmeras e o Meta AI. Cada par é acompanhado do Meta Neural Band, uma pulseira EMG que traduz sinais musculares do punho em comandos de rolagem, clique e, em breve, escrita por microgestos. Um relógio no pulso pode assumir esse papel com mais conforto, bateria maior e sensores adicionais, evoluindo de pulseira para smartwatch sem perder a interface EMG.
Há um sinal de demanda, a empresa pausou a expansão internacional do Ray‑Ban Display para 2026 citando procura acima do previsto e inventário limitado, priorizando o atendimento nos Estados Unidos. Se o relógio entregar controle mais preciso, notificações contextuais e sinergia com os óculos, a experiência fica mais coesa e o ciclo de uso diário se fortalece.
Essa tese não nasce do nada. A Meta comprou a CTRL‑labs em 2019, startup que desenvolve interfaces neurais não invasivas com EMG, e vem demonstrando a tecnologia há anos nos seus laboratórios e no palco do Connect. Pesquisas e relatos independentes descrevem a abordagem como promissora, não é leitura de mente, é decodificação de sinais elétricos musculares no punho, o suficiente para reconhecer gestos finos com baixa latência. Um smartwatch que consolide EMG, sensores ópticos e IA embarcada fecha o desenho de um hub ergonômico no pulso.
![Smartwatch em uso com foco em fitness]
Mercado de smartwatches em 2025 e 2026, onde está o espaço para crescer
Os números de 2025 mostram um cenário misto, com recuperação geral de wearables, mas pressão específica em relógios premium. Dados da IDC apontam que dispositivos de pulso cresceram 10,5 por cento no primeiro trimestre de 2025, com 45,6 milhões de unidades, e smartwatches subiram 4,8 por cento no período. A recuperação veio de Estados Unidos e Europa Ocidental, com impulso extra na China graças a subsídios.
Já a Counterpoint registrou queda de 2 por cento nas remessas globais de smartwatches no primeiro trimestre de 2025, efeito da desaceleração na Índia e de volumes menores da Apple. Ao mesmo tempo, a China avançou com alta de 37 por cento puxada por marcas locais e a categoria de relógios infantis. Esse contraste sugere que há espaço para crescimento quando preço, proposta de valor e ecossistema se alinham.
Ao expandir para 2026, a leitura é pragmática. Se o relógio da Meta chegar com integração direta aos óculos, assistente de IA útil em tempo real, controle EMG convincente e um pacote de saúde competitivo, ele pode disputar nichos abertos, usuários dos Ray‑Ban Display, entusiastas de IA e quem busca notificações e captura de mídia mãos livres. O desafio será preço, autonomia e qualidade do software de bem estar, áreas onde Apple, Samsung e Garmin acumularam anos de polimento.
Concorrência, a Apple não está parada, Google e Samsung tampouco
A movimentação da Meta acontece quando a Apple acelera sua própria estratégia de wearables com IA. Reportagens recentes detalham três linhas em desenvolvimento, óculos inteligentes com produção mirando dezembro de 2026 e lançamento em 2027, um pingente com câmera e microfone sempre pronto para consultas no iPhone e AirPods com câmeras de baixa resolução para percepção de ambiente. Mesmo que o foco imediato da Apple não seja um novo relógio radical, a concorrência por atenção e tempo de uso do usuário aumenta conforme mais peças de IA vestível chegam ao mercado.
Do lado do Android, Google e Samsung seguram o topo premium do Wear OS, Garmin domina quem prioriza métricas de treino e bateria longa, e há uma maré constante de marcas chinesas com forte custo benefício. Entrar nessa arena exige proposta nítida, algo como controle EMG integrado aos óculos, recursos de captura e resumo com IA no pulso, encaminhamento de tarefas e continuidade perfeita entre relógio, óculos e apps sociais. É aí que a Meta pode fazer diferente.
Privacidade, câmeras e dados biométricos, onde mora o atrito
Óculos com câmera, IA contextual e identificação de pessoas compõem um combo sensível. Nos últimos dias, houve relatos de que a Meta avalia um recurso de reconhecimento facial chamado Name Tag para os óculos, o que reacende debates severos sobre privacidade. Mesmo que o smartwatch não tenha câmeras frontais, ele faria parte do mesmo fluxo de dados e comandos. Um lançamento responsável exigirá transparência sobre dados de saúde, sinais EMG e como o relógio conversa com óculos e contas sociais.

Meu critério prático para adoção, opt in granular, indicadores visuais de captura sempre ativos, controles locais primeiro e trilhas de auditoria fáceis de entender. No pulso e no rosto, confiança pesa mais que um app bacana.
![Relógio inteligente em destaque no suporte de mesa]
O que pode diferenciar o relógio da Meta, quatro apostas realistas
- Controle EMG maduro. A Meta já demonstrou EMG no pulso com promessas de rolagem, clique e digitação por microgestos. Se isso chegar estável, com baixa latência, treinos mínimos e modelos que generalizam bem entre usuários, é um diferencial claro frente a coroa giratória e telas minúsculas. Estudos recentes em feedback tátil via pulseira reforçam a viabilidade de experiências mais ricas para MR.
- Acoplamento nativo com Ray‑Ban Display. Um relógio que assuma a função do Neural Band e entregue bateria, GPS, pagamentos e notificações fecha o ciclo de uso sem depender do celular para tudo. Isso reduz fricção e eleva o valor percebido dos óculos.
- IA útil no cotidiano. Respostas de contexto curto, resumos de notificações, tradução, lembretes inteligentes e sugestões proativas baseadas em sensores e localização. O pulso é um ótimo filtro para coisas que não merecem abrir o telefone.
- Saúde e fitness competitivos. PPG confiável, métricas de sono explicáveis, VO2 estimado e detecção de treinos com bom acerto. Não basta medir, é preciso transformar dado em insight acionável, sem discursos inflados.
Riscos e armadilhas, o que pode dar errado
- Bateria e desempenho. Óculos, IA e EMG puxam energia. Se a experiência exigir recarga constante, a magia acaba. O relógio precisará balancear chips eficientes, processos em borda e sincronização inteligente.
- Complexidade de onboarding. EMG funciona melhor com calibragem e modelos adequados. Se a configuração for demorada ou instável, o usuário volta para toques e voz, e o diferencial se perde. Pesquisas de EMG destacam que a generalização entre fisiologias é um desafio real.
- Preço e posicionamento. Se ficar entre Apple Watch premium e Garmin topo de linha sem superá‑los em nada, vira escolha difícil.
- Privacidade e percepção pública. Qualquer passo em falso com reconhecimento facial, uso de câmeras ou dados biométricos pode atrasar o ciclo de adoção por meses.
Como preparar produtos e apps para esse ecossistema, táticas práticas
- Pense em sessões de 5 a 15 segundos. Óculos e relógio favorecem interações rápidas. Divida fluxos longos em passos curtos com confirmação natural por gesto, toque ou voz.
- Modele estados offline primeiro. Sincronização esperta entre relógio, óculos e telefone evita frustração em áreas de sinal ruim.
- Trate EMG como input complementar. Gesto para navegar, toque para confirmar, voz para texto, cada canal certo no momento certo.
- Privacidade como UX. Dê ao usuário switches simples para dados de saúde, localização e histórico de comandos, com padrões de retenção claros.
Linha do tempo em perspectiva
- 2019, Meta adquire a CTRL‑labs e aposta em EMG no pulso como interface de próxima geração.
- 2022, projeto anterior de relógio é cancelado, encerrando a primeira tentativa de smartwatch.
- Setembro de 2025, Ray‑Ban Display e o Neural Band são lançados, consolidando EMG como pilar do ecossistema.
- Janeiro de 2026, expansão internacional do Ray‑Ban Display é pausada por alta demanda e estoque limitado, foco no mercado dos Estados Unidos.
- Fevereiro de 2026, reportagens indicam que um smartwatch chega ainda este ano, à frente de óculos MR adiados para 2027.
Concorrência futura, o tabuleiro de 2027
A janela de 2027 promete ser movimentada. A Apple trabalha em óculos inteligentes sem display tradicional, com câmera, microfone, áudio e forte integração com uma Siri mais capaz, com produção mirando dezembro de 2026 e lançamento no ano seguinte. Se esse ciclo se confirmar, a Meta terá um ano para cimentar o relógio como controle, hub de notificações e braço de saúde de seus óculos. É tempo suficiente para criar hábitos, desde que a primeira versão já seja boa.
Conclusão
A Meta tem um incentivo estratégico para colocar um smartwatch no mercado em 2026. O relógio fecha lacunas do Ray‑Ban Display, evolui o Neural Band para um formato mais completo e cria um plano de convivência com o smartphone que favorece consultas rápidas com IA e comandos por gesto. Entre rumor e anúncio, o que já é público sobre EMG e sobre os óculos indica que a empresa tem peças suficientes para tentar algo diferente, a pergunta é execução, bateria, privacidade e preço.
O mercado de smartwatches se provou resiliente em 2025, embora heterogêneo por região e faixa de preço. Isso favorece quem chega com uma proposta nítida. Se a Meta acertar o pacote, o relógio pode ser lembrado menos como um concorrente de Apple Watch e mais como o controle natural de uma nova geração de óculos com IA. Se errar, vira mais um gadget caro. O próximo capítulo depende de como essas promessas saem do laboratório e chegam ao pulso.
