OpenAI e SoftBank e SB Energy em data centers multi-GW
Parceria estratégica injeta 1 bilhão de dólares na SB Energy, com locação de 1,2 GW no Texas e plano de data centers de IA em larga escala sob o guarda-chuva Stargate.
Danilo Gato
Autor
Introdução
OpenAI e SoftBank anunciaram investimento conjunto de 1 bilhão de dólares na SB Energy, metade de cada, e a locação de 1,2 GW para o primeiro grande campus de data center em Milam County, Texas, dentro do programa Stargate. A notícia foi divulgada em 9 de janeiro de 2026 e está detalhada em https://openai.com/index/stargate-sb-energy-partnership/.
O acordo transforma a SB Energy em parceira de execução para data centers de IA e infraestrutura energética, conectando capacidade computacional em escala com fornecimento de energia e construção rápida. O anúncio reforça um compromisso mais amplo de Stargate, mencionado publicamente em 2025 e expandido com novos locais e parcerias, incluindo Oracle, com a meta de multi-gigawatts distribuídos pelos EUA.
O artigo explora os pontos centrais da parceria, impactos para computação de IA, energia, cronograma, financiamento, escolhas técnicas e implicações para empresas que pretendem crescer com IA de forma segura, eficiente e previsível.
O que foi fechado e por que importa
A SB Energy, controlada pela SoftBank Group, recebeu 500 milhões de dólares da OpenAI e 500 milhões de dólares da SoftBank, somando 1 bilhão de dólares para acelerar desenvolvimento e operação de campi de data center em várias regiões dos EUA. Além disso, a SB Energy já havia assegurado 800 milhões de dólares em equity preferencial resgatável da Ares, reforçando o balanço para projetos de grande porte.
O diferencial do acordo está no modelo de execução. A OpenAI aporta projeto proprietário de data center, a SB Energy traz disciplina de custo, velocidade de construção e entrega integrada de energia. A meta é viabilizar data centers de IA otimizados, com resiliência energética e custos previsíveis, atendendo ao salto de demanda por treinamento e inferência de modelos avançados.
Em paralelo, a SB Energy se torna cliente relevante de OpenAI, adotando APIs e ChatGPT no trabalho diário, um movimento que costuma acelerar o aprendizado organizacional sobre automação e copilotos corporativos.
Texas em foco, 1,2 GW e o papel de Milam County
O primeiro grande passo material é a locação de 1,2 GW em Milam County, Texas, onde a SB Energy será responsável por construir e operar o site. A OpenAI e a SB Energy afirmam que o campus foi concebido para minimizar consumo de água e que haverá nova geração dedicada para proteger consumidores locais de choques tarifários. O projeto promete milhares de empregos na construção, além de modernização de rede e capacitação de mão de obra.
A escolha do Texas segue a expansão do programa Stargate, que já contemplava sites no estado e planos adicionais desde 2025, quando SoftBank, OpenAI e Oracle divulgaram a seleção de cinco novos locais, colocando o pipeline mais perto de metas de 10 GW e centenas de bilhões em CAPEX.
Para empresas, o recado é claro, proximidade com hubs elétricos e de fibra, licenciamento acelerado e contratos de energia são o novo campo de vantagem competitiva em IA. Com 1,2 GW num único site, decisões sobre redes internas, topologia de clusters e refrigeração tornam-se tão estratégicas quanto a escolha de GPU.
![Corredor de racks em data center]
Stargate, escala e cronograma
Stargate é o guarda-chuva que integra data centers, energia e cadeia de suprimentos para IA. Em 2025, os parceiros já detalhavam novos sites, inclusive no Texas e no Novo México, e a colaboração com Oracle para até 4,5 GW adicionais em OCI. Em 2026, a OpenAI detalha o investimento em SB Energy, consolidando a empresa como executora em múltiplos campi, com as primeiras instalações entrando em serviço a partir de 2026.
Relatos da imprensa reforçam o valor e o escopo, citando 1 bilhão de dólares, 1,2 GW em Milam County e a tese de que energia se tornou o gargalo central na expansão da IA. Esse pano de fundo inclui previsões de investimentos trilionários em data centers e a necessidade de integrar geração, transmissão e consumo computacional.
Do ponto de vista operacional, prazos de entrada em serviço a partir de 2026 indicam janelas de comissionamento compatíveis com entregas de novos racks de aceleradores, rede de alta velocidade e designs eficientes em água, combinando refrigeração líquida direta e reaproveitamento térmico sempre que o cenário local permitir. Esses detalhes, embora variem por campus, são coerentes com o foco explícito em minimizar uso de água e proteger consumidores.
Energia como produto, não apenas insumo
A grande virada estratégica aqui é tratar energia como produto integral do data center, não apenas insumo. A SB Energy fala em plataforma integrada, com execução em projeto, construção, engenharia, cadeia de suprimentos, financiamento, comercialização de energia e operação de ativos. Para IA, isso significa ancorar PPA de longo prazo, hibridizar fontes, adicionar armazenamento e, quando possível, desenvolver geração dedicada para estabilidade de preço e confiabilidade.
O anúncio também destaca intenção de construir nova geração para suportar Milam County, um desenho que combina resiliência com mitigação de impacto tarifário. Em um contexto de redes congestionadas e atrasos em interconexão, quem controla cronograma de energia encurta caminho até a capacidade computacional.
Para líderes de tecnologia, a implicação prática é priorizar a tese elétrica no roadmap de IA, aproximando times de infraestrutura de energia, finanças e compliance regulatório. Firmas que internalizam PPAs, storage e curva de carga de IA têm menos volatilidade de custo e maior previsibilidade de disponibilidade de GPU.
Financiamento, risco e governança
O pacote de 1 bilhão de dólares, somado aos 800 milhões de dólares em equity preferencial da Ares, mostra uma estrutura de capital com lastro suficiente para múltiplas fases de construção, além de acomodar o perfil de caixa intensivo de projetos de data centers e energia. Escritórios de advocacia e imprensa financeira registraram a transação, conferindo mais visibilidade ao arranjo.
Investidores acompanham com lupa o debate sobre sustentabilidade econômica de projetos em escala de dezenas de gigawatts e compromissos de centenas de bilhões. Há ceticismo, mas também uma leitura de que integração vertical de energia com computação pode ajustar o custo marginal por token treinado e por consulta inferida, habilitando novas categorias de produto.
Governança e impactos locais seguem no radar, desde licenciamento ambiental e hídrico até qualificação de mão de obra. A promessa de empregos, modernização de rede e centros de treinamento em comunidades parceiras é parte central da narrativa de Stargate e pesa no ciclo de aprovações.
Implicações técnicas para arquiteturas de IA
Capacidade de 1,2 GW em um único site permite clusterização com interconexão de altíssima largura de banda e latência ultrabaixa, pré requisito para treinar modelos de próxima geração. A entrega faseada, alinhada a cronogramas de hardware e rede, reduz risco de ociosidade. Em paralelo, a busca por eficiência energética na camada de software, com agendamento de jobs, resfriamento assistido por IA e consolidação de tarefas de inferência, compõe o ganho de TCO por watt.
Para empresas que consomem IA, essa escala viabiliza novos SLAs para modelos de linguagem e multimodais, filas de fine tuning mais rápidas e custos menores por milhão de tokens. Na borda, data centers otimizados devem liberar capacidade para inferência de baixa latência em regiões específicas, enquanto workloads de treinamento massivo convergem para campi com máxima densidade de energia.
![Detalhe de servidores e LEDs]
O que observar nos próximos 12 a 24 meses
- Marcos de obra em Milam County, incluindo milestones de fundação, energização, integração de subestações e fases de comissionamento.
- Contratos de energia, PPAs e eventuais anúncios de geração própria ou parcerias regionais, especialmente onde houver gargalos de interconexão.
- Expansões de sites Stargate e novas seleções estaduais, conforme o pipeline divulgado em 2025 e atualizações subsequentes.
- Entregas de racks de aceleradores e atualizações de rede em provedores de nuvem parceiros, fundamentais para o ramp up de carga efetiva.
Reflexões e insights práticos
Equilibrar custo, tempo e risco em IA passa a depender tanto de engenharia elétrica quanto de ciência de dados. Times que tratam eletricidade, água, refrigeração e latência como variáveis de produto ganham vantagem operacional. A parceria OpenAI, SoftBank e SB Energy mostra um blueprint que tende a se repetir, com players integrando o ciclo completo, do cabeamento ao modelo.
Para CTOs e CFOs, lições claras emergem, negociar contratos de energia atrelados ao crescimento de demanda de IA, orquestrar janelas de capex com disponibilidade de hardware e definir políticas de sustentabilidade alinhadas a metas de eficiência por watt. Para líderes públicos, a agenda inclui licenças previsíveis, redes mais inteligentes e programas de capacitação que de fato levam pessoas locais para empregos técnicos de alto salário.
Conclusão
A parceria de 1 bilhão de dólares e a locação de 1,2 GW no Texas sinalizam um novo patamar de execução entre computação e energia. Milam County se torna caso de uso para integração vertical, combinando projeto de data center, entrega de energia, água e cadeia de suprimentos, para acelerar a próxima geração de IA.
O movimento encaixa no tabuleiro de Stargate, que desde 2025 ampliou a lista de sites e parceiros, e consolida uma tese, quem domina energia e execução constrói a vantagem competitiva de IA. À medida que os primeiros campi entrarem em operação em 2026, o mercado terá um teste real do quanto a integração proposta reduz custo, encurta prazos e amplia a capacidade de inovação.
