Proporção de imagem na IA: como definir o formato sem cortar o que importa
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Proporção de imagem na IA: como definir o formato sem cortar o que importa

Danilo Gato

Autor

26 de agosto de 2026
6 min de leitura

Resposta rápida

Toda IA de imagem tem um parâmetro de proporção (aspect ratio) que você define ANTES de escrever a cena, não depois. No Midjourney é --ar largura:altura (ex.: --ar 9:16), no Gemini/Imagen é o campo aspect_ratio com opções fixas como 1:1, 3:4, 4:3, 9:16 e 16:9, e no GPT Image 2 da OpenAI você pede a resolução exata em pixels, desde que largura e altura sejam divisíveis por 16. A regra que evita corte de cabeça ou perna: descreva a cena JÁ pensando no enquadramento final (corpo inteiro para vertical apertado, plano médio para quadrado), porque a IA generaliza o enquadramento a partir do texto e depois só encaixa no formato, ela não redistribui a cena pra caber. Se cortou errado, o conserto certo é reenquadrar a imagem pronta (outpainting ou crop guiado), não regerar do zero.

Por que a IA corta a cabeça ou o cenário quando eu mudo o formato?

Aqui na CPDF (Comunidade Profissionais do Futuro, por Danilo Gato) esse é um dos erros mais repetidos de quem começa a gerar imagem pra redes sociais: escrever a cena inteira primeiro e só depois lembrar de definir o formato. Isso acontece porque a maioria dos modelos gera a composição pensando na PROPORÇÃO ATUAL, não numa versão “genérica” da cena que se adapta depois. Se sua descrição diz “retrato de corpo inteiro, ela sentada num banco de praça”, mas você pede formato quadrado, a IA vai tentar encaixar corpo inteiro num quadrado, e o resultado comum é sobrar espaço morto nas laterais ou cortar os pés. O oposto também vale: pedir “still de rosto em primeiro plano” num formato vertical 9:16 sobra muito espaço vazio acima e abaixo do rosto.

A causa raiz é que enquadramento e proporção são a MESMA decisão, tomada junto. Trocar só a proporção sem reescrever a distância da câmera (plano geral, médio, close) é pedir pra IA resolver um problema de composição que você não descreveu.

Qual proporção usar pra cada destino (story, feed, capa, impressão)?

Destino Proporção Pixels de referência Observação
Story / Reels / TikTok 9:16 1080 x 1920 Preenche a tela inteira; outro formato vira barra preta ou corte automático
Feed do Instagram 4:5 1080 x 1350 O formato que mais ocupa espaço vertical no feed sem cortar no grid do perfil
Post quadrado clássico 1:1 1080 x 1080 Ainda funciona no feed, mas ocupa menos tela que o 4:5
Capa de vídeo / thumbnail YouTube 16:9 1920 x 1080 Padrão de tela cheia horizontal
Impressão (banner, cartaz) Varia Depende da peça Calcule a proporção final ANTES de gerar, imprimir corta o que sobra, não redistribui

Isso não é escolha estética solta: o formato vertical domina o consumo de vídeo curto hoje. Segundo pesquisa da Sprout Social de 2026, 31% dos profissionais de marketing dizem que o vídeo curto no formato vertical entrega o melhor retorno entre todos os formatos que testam. Se a peça final vai virar Reels ou Story, gerar pensando em 9:16 desde a primeira tentativa poupa um retrabalho de reenquadramento depois.

Como definir a proporção no prompt, ferramenta por ferramenta?

Cada IA trata o parâmetro de um jeito diferente, e confundir o formato de uma com o de outra é o erro mais comum de quem usa mais de uma ferramenta:

  • Midjourney: parâmetro --ar no fim do prompt, com dois números inteiros, de 1:3 até 3:1. Exemplo: retrato de mulher em still cinematográfico, luz de janela --ar 9:16.
  • Gemini / Imagen (Google): campo separado aspect_ratio na chamada, com valores fixos: 1:1, 3:4, 4:3, 9:16, 16:9 (modelos mais novos, como o Gemini 3.1 Flash Lite Image, aceitam também 3:2, 2:3, 4:5, 5:4 e 21:9). Não é texto dentro do prompt, é parâmetro da API ou da opção na interface.
  • GPT Image 2 (OpenAI): você informa resolução exata em pixels (WIDTHxHEIGHT), e as duas medidas precisam ser divisíveis por 16, com proporção entre 1:3 e 3:1. Não existe lista fechada de formatos, dá pra pedir qualquer proporção dentro desse limite, mas errar um pixel fora do múltiplo de 16 derruba a geração.
  • DALL-E 3 (mais antigo, ainda em uso em algumas integrações): só aceita três formatos fixos, quadrado (1024x1024), paisagem (1792x1024) e retrato (1024x1792). Sem meio-termo.

Antes de gerar em lote pra um cliente ou pra uma campanha, confirme em qual ferramenta você está e o nome exato do parâmetro dela. “Ar 9:16” que funciona no Midjourney não existe no Gemini, que precisa do campo separado.

O que fazer quando a imagem já saiu cortada errado?

Regerar do zero raramente é a saída mais rápida, principalmente quando o resto da composição (rosto, luz, cenário) já ficou bom. As duas técnicas que resolvem sem perder o que já funcionou:

  1. Outpainting (expansão de borda): a maioria das ferramentas com edição (GPT Image, Gemini, editores integrados) consegue “continuar” a imagem além da borda original, preenchendo o que faltaria pra virar outro formato. Funciona bem quando o corte tirou um pedaço pequeno (topo da cabeça, um lado do cenário).
  2. Crop guiado com reposicionamento do assunto: quando sobra espaço morto (imagem gerada mais larga do que o formato final precisa), simplesmente recortar já resolve, contanto que o assunto principal não fique colado na borda depois do corte.

O que NÃO compensa: regerar a cena inteira só por causa do formato, se a iluminação, a pose e a identidade do assunto já estavam certas. Você joga fora acerto por causa de um parâmetro que dava pra ter ajustado à parte.

Dá pra pedir mais de um formato da mesma cena sem perder a consistência?

Dá, mas com uma ressalva: gerar a MESMA cena duas vezes, uma em cada proporção, tende a sair com pequenas variações de pose, luz ou expressão, porque cada geração é independente. Se a consistência entre os dois formatos importa (por exemplo, capa 16:9 e versão vertical do mesmo post), o caminho mais confiável é gerar em UM formato primeiro, aprovar a cena, e então usar edição (outpainting) pra expandir ou editor de imagem pra recortar, em vez de gerar duas vezes do zero. Regerar do zero é a fonte mais comum de “duas versões que parecem pessoas ligeiramente diferentes” quando o assunto é um personagem fixo (mascote, avatar, apresentador recorrente).

E a área segura pra texto e logo, muda com o formato?

Muda, e é o detalhe que mais gente esquece depois de acertar a proporção. Cada rede social reserva uma faixa da tela pra elementos de interface (nome de usuário, ícones de curtir, legenda) que cobrem parte da imagem sem avisar. No Story do Instagram, por exemplo, os primeiros e os últimos cerca de 250 pixels verticais (topo e rodapé) costumam ficar embaixo desses elementos. Se o rosto da pessoa ou o texto principal da arte ficarem nessa faixa, uma parte real da audiência vai ver a imagem com informação tampada.

A prática que evita isso: depois de definir a proporção no prompt, descreva também ONDE o elemento principal deve ficar dentro do quadro (por exemplo, “assunto no terço central, com respiro de pelo menos 15% da altura no topo e na base”). Isso é diferente de só pedir o enquadramento, é pedir a MARGEM de segurança junto.

Se você ainda está montando a base do prompt (o que descrever antes mesmo de pensar em proporção), vale revisar como escrever prompts e, pro lado fotográfico da cena, ângulos de câmera para prompt, que é a peça que sempre anda junto da proporção na hora de definir o enquadramento.

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