Anatomia de uma pesquisa
O que aconteceu quando 23 agentes de inteligência artificial foram postos a varrer, em oito idiomas, tudo que a literatura médica mundial sabe sobre uma doença que atinge duas pessoas por milhão. No fim desta página está o prompt para você repetir isso com a sua.
Os números do levantamento
Nenhum destes é estimativa. Saíram dos registros de execução dos workflows e da contagem direta dos arquivos de pesquisa.
Duas ondas, não uma
Cada quadrado é um agente. A segunda onda só foi escrita depois que a primeira voltou e que o vídeo da família foi transcrito, porque o relato mudou completamente o recorte da pesquisa.
Por que oito idiomas
Numa doença rara, a literatura fica espalhada por países que estudaram casos que os outros nunca viram. Buscar só em inglês perde de vista metade do mapa.
O que a rodada de verificação derrubou
Esta é a parte que mais pagou o custo. Agentes de IA erram, e a única defesa que funciona é contratar outros agentes com a missão explícita de refutar os primeiros. Quatro exemplos reais, todos corrigidos antes de o documento sair.
Eu havia escrito que o paciente estava no limite da elegibilidade de um estudo, porque a escala pesava cognição e ele estava lúcido. O verificador abriu o artigo de validação e mostrou que 12 dos 20 pontos são motores. A leitura correta era o oposto, e ela mudou a recomendação.
O texto afirmava que o exame que fechou o diagnóstico é praticamente infalível. Faltava o dado de que o falso positivo é nove vezes maior em pacientes com inflamação cerebral, que era exatamente a situação dele.
Um painel de anticorpos foi citado com o código errado, e a lista real não continha quatro dos anticorpos mais importantes para o caso. Sem a correção, a família pediria o exame errado.
Um agente afirmou que o cientista que criou o principal exame diagnóstico havia morrido. Nenhum verificador conseguiu confirmar. A informação foi simplesmente removida.
O prompt, para qualquer doença
Cole isto no seu Claude, troque o que está em colchetes e deixe rodar. Este levantamento foi feito com o Claude Opus 5, com o esforço de raciocínio no alto, e com a palavra ultracode dentro do próprio pedido, que é o que faz o Claude montar um workflow personalizado para a tarefa em vez de sair respondendo direto. Funciona também numa sessão comum, sem nada disso, só que mais devagar e com menos checagem. O que faz a diferença não é o tamanho do prompt: é exigir fonte para tudo e mandar um workflow inteiro tentar derrubar o anterior.
Preciso de um levantamento profundo e honesto sobre [NOME DA DOENÇA], para
[quem vai ler: eu mesmo / meu pai / a família de um amigo]. O resultado final que eu
quero é um dossiê em PDF que essa pessoa consiga levar ao médico dela.
Use ultracode e monte um workflow personalizado para esta pesquisa, em vez
de sair respondendo direto. O desenho que vem abaixo é ponto de partida, não
camisa de força: ADAPTE os workflows, as frentes de cada um e as partes do
documento final À DOENÇA EM QUESTÃO. Cada doença tem uma literatura, um caminho
de diagnóstico e um cenário de tratamento diferentes, e um roteiro genérico
desperdiça metade do esforço.
E PERGUNTE. Antes de começar, e também no meio do caminho, se faltar qualquer
coisa que mude o rumo da pesquisa, pare e me pergunte em vez de supor. Uma
pergunta agora custa um minuto; um dossiê inteiro respondendo o que eu não
precisava custa a pesquisa toda.
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1. O CASO
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[Cole aqui tudo que você sabe, sem se preocupar com organização: idade, quando
começaram os sintomas e quais foram, na ordem em que apareceram; exames feitos e
resultados; o que os médicos disseram; tratamentos já tentados e o que aconteceu;
doenças anteriores; o que ficou em dúvida. Se existir um vídeo, áudio ou mensagem
da família contando a história, peça a transcrição ANTES e use como base, porque o
relato costuma mudar o recorte inteiro da pesquisa.]
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2. COMO PESQUISAR
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Rode em workflows encadeados, e dentro de cada workflow use agentes em paralelo
sempre que puder. Um workflow só começa depois que o anterior voltou.
Isto gasta MUITO token. Se der para escolher o modelo de cada agente, ponha o
trabalho pesado de varrer e ler num modelo menor (Sonnet resolve bem) e guarde o
modelo mais forte para a síntese e para o WORKFLOW 4.
WORKFLOW 1, a doença. Um agente para cada frente:
· o que é, mecanismo, formas e subtipos, e a sobrevida de cada subtipo
· como se diagnostica hoje, e o desempenho real de cada exame
· TUDO que já se tentou tratar, com o resultado honesto de cada tentativa
· a fronteira: o que está em pesquisa, em que estágio real, com que horizonte
· os centros de referência do mundo, com contato verificável
· o cuidado prático do dia a dia e o manejo de sintomas
WORKFLOW 2, os idiomas. Um agente por bloco, com os termos NATIVOS da doença:
alemão, japonês, mandarim, francês, italiano, espanhol, e o meu país.
Numa doença rara, cada país estudou casos que os outros nunca viram.
WORKFLOW 3, o caso específico. Um agente para cada uma:
· qual é a apresentação atípica deste caso, se houver, e o que a literatura diz sobre ela
· o que AINDA seria tratável e precisa estar formalmente descartado
· todos os estudos clínicos abertos hoje, lidos no registro oficial, não em resumo
· o caminho prático no meu país: acesso a medicamento, plano de saúde, direitos
WORKFLOW 4, o adversarial. Este workflow NÃO é opcional: é o que salva o
documento. Agentes NOVOS, que não participaram dos workflows anteriores, com a
missão explícita de DERRUBAR o que os outros afirmaram.
Um por recorte: números, estudos clínicos, contatos e normas legais.
Eles devem abrir as fontes uma a uma e marcar como falso tudo que não bater.
Nada entra no documento sem passar por este workflow.
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3. REGRAS QUE VALEM PARA TODOS OS AGENTES
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· Toda afirmação precisa de FONTE com endereço que você abriu de fato.
· NÃO invente estudo, número de registro, autor, dose, preço ou contato.
Preferir escrever "não encontrei" a preencher com algo plausível.
· Registro de ensaio clínico se lê no REGISTRO OFICIAL, com a data da última
atualização anotada. Resumo de terceiro não vale, e desatualiza rápido.
· Diga sempre a DATA da informação e o nível de confiança de cada achado.
· Liste no fim o que você NÃO conseguiu confirmar. Essa lista vale ouro.
· Na dúvida, PERGUNTE. Se aparecer no meio do caminho uma informação que muda o
recorte da pesquisa, pare e me pergunte antes de seguir.
· Isto vai para uma família real. Nada de falsa esperança e nada de crueldade.
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4. O DOCUMENTO FINAL
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· A estrutura abaixo é a base. ADAPTE as partes à doença em questão: entra o que
esta doença exige e sai o que não faz sentido para ela.
· Duas primeiras páginas: painel visual com os números, o que fazer nesta semana,
e links internos para o resto. É o que a pessoa lê se só tiver cinco minutos.
· Depois o detalhe, uma parte por assunto.
· Uma lista de perguntas prontas para levar ao médico, escritas para abrir
conversa e não para confrontar a equipe.
· Bibliografia comentada: ao lado de cada fonte, o que ela diz e em que ponto do
documento ela foi usada.
· UM AVISO, OBRIGATÓRIO, E NÃO SÓ NO RODAPÉ. Logo na abertura do documento, e
repetido em toda parte que traga conduta, dose, exame ou tratamento:
· este documento NÃO substitui médico, e não é diagnóstico nem prescrição;
· foi feito com IA, e IA erra, inclusive com cara de segurança;
· TODA informação que a pessoa for de fato usar precisa ser conferida na
fonte citada ao lado, porque pode haver imprecisão, defasagem ou erro;
· havendo divergência entre este documento e o médico assistente, vale o
médico. Quem decide é a equipe médica.
Gere o PDF no fim.Só o que está em colchetes. O resto funciona igual para qualquer doença, comum ou rara.
Com agentes em paralelo, algo entre uma e três horas. Numa sessão comum, rode uma fase por vez e espere mais.
O workflow 4, o adversarial. Sem ele você tem um texto bonito e sem defesa contra os próprios erros do modelo.
Workflow é recurso de todo plano pago do Claude Code, e também pela API. No Pro você liga em /config, na linha Dynamic workflows. Nos outros planos pagos, se não estiver ativo, é no mesmo lugar.
Muito mesmo: uma rodada dessas consome bem mais que a mesma conversa feita à mão, e conta no limite do seu plano. Rode primeiro num recorte pequeno para medir, e acompanhe o gasto em /workflows.
Por padrão todo agente usa o modelo da sua sessão. Peça, ao descrever a tarefa, que o trabalho pesado de varrer e ler rode em Sonnet, e guarde o modelo forte para a síntese e para o workflow adversarial.