Registro de método

Anatomia de uma pesquisa

O que aconteceu quando 23 agentes de inteligência artificial foram postos a varrer, em oito idiomas, tudo que a literatura médica mundial sabe sobre uma doença que atinge duas pessoas por milhão. No fim desta página está o prompt para você repetir isso com a sua.

Doença de Creutzfeldt-Jakob21 de agosto de 20262 workflows + 1 revisão cruzadaResultado: dossiê de 56 páginas
A escala

Os números do levantamento

Nenhum destes é estimativa. Saíram dos registros de execução dos workflows e da contagem direta dos arquivos de pesquisa.

23
Agentes de IA
15 na primeira onda, 7 na segunda, 1 na revisão final
2h24
De execução
Somando o tempo dos três lotes, que rodaram em paralelo
8
Idiomas
Porque metade do que importa nunca foi escrito em inglês
542
Fontes abertas
Endereços únicos citados nos relatórios de pesquisa
149
Domínios distintos
Revistas, registros oficiais, agências e centros de referência
3,79 mi
Tokens de leitura
O equivalente a uns 25 livros lidos e descartados
1.511
Chamadas de ferramenta
Cada busca, cada página aberta, cada registro consultado
433
Achados registrados
Cada um com nível de confiança e fonte declarados
143.760
Palavras de pesquisa bruta
Que viraram 56 páginas. A compressão é o trabalho
160
Checagens adversariais
Agentes contratados só para derrubar o que os outros afirmaram
3
Registros lidos na origem
Os únicos ensaios de tratamento que existem no mundo
51
Fontes comentadas
Cada uma com o que diz e onde foi usada no documento
A estrutura

Duas ondas, não uma

Cada quadrado é um agente. A segunda onda só foi escrita depois que a primeira voltou e que o vídeo da família foi transcrito, porque o relato mudou completamente o recorte da pesquisa.

Onda 1  ·  a doença15 agentes · 2,39 mi tokens · 839 chamadas · 69 min
Base
Mecanismo, diagnóstico, tudo que já se tentou tratar, a fronteira científica, os centros de referência e o cuidado prático
Multilíngue
Um agente por bloco de idioma, cada um caçando o que não aparece na busca em inglês
Verificação
Três céticos com recortes diferentes: ensaios, números e contatos, com a tarefa de refutar
Lacunas
Um crítico de completude que apontou o que faltava e foi pesquisar o que faltava
Onda 2  ·  o caso7 agentes · 1,40 mi tokens · 605 chamadas · 65 min
Caso
Identificar os estudos que a família citou, a forma atípica da doença, o que ainda seria tratável, o caminho no Brasil e o que já era público
Checagem
Dois verificadores abrindo registro por registro e norma por norma
Revisão final  ·  o documento pronto1 agente · 67 chamadas · 11 min
Cruzamento
Um último agente percorreu o dossiê escrito afirmação por afirmação, cruzando com os 20 relatórios de origem e com as fontes primárias. Não achou nenhum erro grave, e a única dúvida que levantou foi conferida na fonte e estava correta.
A cobertura

Por que oito idiomas

Numa doença rara, a literatura fica espalhada por países que estudaram casos que os outros nunca viram. Buscar só em inglês perde de vista metade do mapa.

AlemãoCreutzfeldt-Jakob-Krankheit
O centro nacional de Göttingen, que produz os dados de biomarcadores usados no mundo inteiro
Japonêsクロイツフェルト・ヤコブ病
A maior série mundial de pentosano intraventricular, e a razão pela qual a sobrevida japonesa parece maior
Mandarim克雅氏病
A vigilância nacional chinesa e o único ensaio de fase 3 registrado no planeta
Italianomalattia di Creutzfeldt-Jakob
O grupo de Bolonha, que definiu a classificação em subtipos que organiza o campo
Francêsmaladie de Creutzfeldt-Jakob
A rede nacional de referência e o ensaio randomizado de doxiciclina
Espanholenfermedad de Creutzfeldt-Jakob
O registro nacional espanhol, com 1.530 casos e a mediana de sobrevida de 4,9 meses
Inglêsprion disease
Os registros de ensaio, o grosso da literatura e os centros americano e britânico
Portuguêsdoença priônica
A notificação compulsória, o fluxo laboratorial do SUS e os direitos do paciente
O contraditório

O que a rodada de verificação derrubou

Esta é a parte que mais pagou o custo. Agentes de IA erram, e a única defesa que funciona é contratar outros agentes com a missão explícita de refutar os primeiros. Quatro exemplos reais, todos corrigidos antes de o documento sair.

Otimismo indevido

Eu havia escrito que o paciente estava no limite da elegibilidade de um estudo, porque a escala pesava cognição e ele estava lúcido. O verificador abriu o artigo de validação e mostrou que 12 dos 20 pontos são motores. A leitura correta era o oposto, e ela mudou a recomendação.

Omissão perigosa

O texto afirmava que o exame que fechou o diagnóstico é praticamente infalível. Faltava o dado de que o falso positivo é nove vezes maior em pacientes com inflamação cerebral, que era exatamente a situação dele.

Nome trocado

Um painel de anticorpos foi citado com o código errado, e a lista real não continha quatro dos anticorpos mais importantes para o caso. Sem a correção, a família pediria o exame errado.

Fato não confirmado

Um agente afirmou que o cientista que criou o principal exame diagnóstico havia morrido. Nenhum verificador conseguiu confirmar. A informação foi simplesmente removida.

O que você pode reaproveitar

O prompt, para qualquer doença

Cole isto no seu Claude, troque o que está em colchetes e deixe rodar. Este levantamento foi feito com o Claude Opus 5, com o esforço de raciocínio no alto, e com a palavra ultracode dentro do próprio pedido, que é o que faz o Claude montar um workflow personalizado para a tarefa em vez de sair respondendo direto. Funciona também numa sessão comum, sem nada disso, só que mais devagar e com menos checagem. O que faz a diferença não é o tamanho do prompt: é exigir fonte para tudo e mandar um workflow inteiro tentar derrubar o anterior.

prompt-pesquisa-doenca.txt
Preciso de um levantamento profundo e honesto sobre [NOME DA DOENÇA], para
[quem vai ler: eu mesmo / meu pai / a família de um amigo]. O resultado final que eu
quero é um dossiê em PDF que essa pessoa consiga levar ao médico dela.

Use ultracode e monte um workflow personalizado para esta pesquisa, em vez
de sair respondendo direto. O desenho que vem abaixo é ponto de partida, não
camisa de força: ADAPTE os workflows, as frentes de cada um e as partes do
documento final À DOENÇA EM QUESTÃO. Cada doença tem uma literatura, um caminho
de diagnóstico e um cenário de tratamento diferentes, e um roteiro genérico
desperdiça metade do esforço.

E PERGUNTE. Antes de começar, e também no meio do caminho, se faltar qualquer
coisa que mude o rumo da pesquisa, pare e me pergunte em vez de supor. Uma
pergunta agora custa um minuto; um dossiê inteiro respondendo o que eu não
precisava custa a pesquisa toda.

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1. O CASO
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[Cole aqui tudo que você sabe, sem se preocupar com organização: idade, quando
começaram os sintomas e quais foram, na ordem em que apareceram; exames feitos e
resultados; o que os médicos disseram; tratamentos já tentados e o que aconteceu;
doenças anteriores; o que ficou em dúvida. Se existir um vídeo, áudio ou mensagem
da família contando a história, peça a transcrição ANTES e use como base, porque o
relato costuma mudar o recorte inteiro da pesquisa.]

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2. COMO PESQUISAR
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Rode em workflows encadeados, e dentro de cada workflow use agentes em paralelo
sempre que puder. Um workflow só começa depois que o anterior voltou.

Isto gasta MUITO token. Se der para escolher o modelo de cada agente, ponha o
trabalho pesado de varrer e ler num modelo menor (Sonnet resolve bem) e guarde o
modelo mais forte para a síntese e para o WORKFLOW 4.

WORKFLOW 1, a doença. Um agente para cada frente:
  · o que é, mecanismo, formas e subtipos, e a sobrevida de cada subtipo
  · como se diagnostica hoje, e o desempenho real de cada exame
  · TUDO que já se tentou tratar, com o resultado honesto de cada tentativa
  · a fronteira: o que está em pesquisa, em que estágio real, com que horizonte
  · os centros de referência do mundo, com contato verificável
  · o cuidado prático do dia a dia e o manejo de sintomas

WORKFLOW 2, os idiomas. Um agente por bloco, com os termos NATIVOS da doença:
  alemão, japonês, mandarim, francês, italiano, espanhol, e o meu país.
  Numa doença rara, cada país estudou casos que os outros nunca viram.

WORKFLOW 3, o caso específico. Um agente para cada uma:
  · qual é a apresentação atípica deste caso, se houver, e o que a literatura diz sobre ela
  · o que AINDA seria tratável e precisa estar formalmente descartado
  · todos os estudos clínicos abertos hoje, lidos no registro oficial, não em resumo
  · o caminho prático no meu país: acesso a medicamento, plano de saúde, direitos

WORKFLOW 4, o adversarial. Este workflow NÃO é opcional: é o que salva o
  documento. Agentes NOVOS, que não participaram dos workflows anteriores, com a
  missão explícita de DERRUBAR o que os outros afirmaram.
  Um por recorte: números, estudos clínicos, contatos e normas legais.
  Eles devem abrir as fontes uma a uma e marcar como falso tudo que não bater.
  Nada entra no documento sem passar por este workflow.

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3. REGRAS QUE VALEM PARA TODOS OS AGENTES
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· Toda afirmação precisa de FONTE com endereço que você abriu de fato.
· NÃO invente estudo, número de registro, autor, dose, preço ou contato.
  Preferir escrever "não encontrei" a preencher com algo plausível.
· Registro de ensaio clínico se lê no REGISTRO OFICIAL, com a data da última
  atualização anotada. Resumo de terceiro não vale, e desatualiza rápido.
· Diga sempre a DATA da informação e o nível de confiança de cada achado.
· Liste no fim o que você NÃO conseguiu confirmar. Essa lista vale ouro.
· Na dúvida, PERGUNTE. Se aparecer no meio do caminho uma informação que muda o
  recorte da pesquisa, pare e me pergunte antes de seguir.
· Isto vai para uma família real. Nada de falsa esperança e nada de crueldade.

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4. O DOCUMENTO FINAL
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· A estrutura abaixo é a base. ADAPTE as partes à doença em questão: entra o que
  esta doença exige e sai o que não faz sentido para ela.
· Duas primeiras páginas: painel visual com os números, o que fazer nesta semana,
  e links internos para o resto. É o que a pessoa lê se só tiver cinco minutos.
· Depois o detalhe, uma parte por assunto.
· Uma lista de perguntas prontas para levar ao médico, escritas para abrir
  conversa e não para confrontar a equipe.
· Bibliografia comentada: ao lado de cada fonte, o que ela diz e em que ponto do
  documento ela foi usada.
· UM AVISO, OBRIGATÓRIO, E NÃO SÓ NO RODAPÉ. Logo na abertura do documento, e
  repetido em toda parte que traga conduta, dose, exame ou tratamento:
    · este documento NÃO substitui médico, e não é diagnóstico nem prescrição;
    · foi feito com IA, e IA erra, inclusive com cara de segurança;
    · TODA informação que a pessoa for de fato usar precisa ser conferida na
      fonte citada ao lado, porque pode haver imprecisão, defasagem ou erro;
    · havendo divergência entre este documento e o médico assistente, vale o
      médico. Quem decide é a equipe médica.

Gere o PDF no fim.
O que trocar

Só o que está em colchetes. O resto funciona igual para qualquer doença, comum ou rara.

Quanto tempo

Com agentes em paralelo, algo entre uma e três horas. Numa sessão comum, rode uma fase por vez e espere mais.

O que não pular

O workflow 4, o adversarial. Sem ele você tem um texto bonito e sem defesa contra os próprios erros do modelo.

Onde funciona

Workflow é recurso de todo plano pago do Claude Code, e também pela API. No Pro você liga em /config, na linha Dynamic workflows. Nos outros planos pagos, se não estiver ativo, é no mesmo lugar.

Gasta muito token

Muito mesmo: uma rodada dessas consome bem mais que a mesma conversa feita à mão, e conta no limite do seu plano. Rode primeiro num recorte pequeno para medir, e acompanhe o gasto em /workflows.

Como gastar menos

Por padrão todo agente usa o modelo da sua sessão. Peça, ao descrever a tarefa, que o trabalho pesado de varrer e ler rode em Sonnet, e guarde o modelo forte para a síntese e para o workflow adversarial.

Uma ressalva que não é formalidade. Nada disso substitui médico. Um levantamento como este serve para reunir em horas o que levaria semanas para uma pessoa juntar sozinha, e para chegar a fontes em idiomas que ela não lê. Ele é um guia de leitura para levar à consulta, não um parecer. Modelos de IA têm um percentual conhecido de erro, e a única defesa real é a que está descrita aqui: fonte ao lado de cada afirmação, uma rodada inteira tentando derrubar a anterior, e a conferência final feita por quem vai usar a informação.

Havendo divergência entre o que um documento desses diz e o que o médico assistente orienta, vale o médico.