IA para anunciar o que você quer vender: título, descrição e foto do usado que sai do anúncio
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IA para anunciar o que você quer vender: título, descrição e foto do usado que sai do anúncio

Danilo Gato

Autor

28 de agosto de 2026
6 min de leitura

Resposta rápida

Sim, dá pra usar IA pra montar um anúncio de produto usado que vende mais rápido, e o jeito mais prático é fotografar o item de três ou quatro ângulos e pedir pra um assistente como ChatGPT, Claude ou Gemini escrever o título, a descrição e sugerir uma faixa de preço com base no que você contar sobre o estado dele. A parte que a IA resolve bem é o texto: título que usa os termos que as pessoas buscam, descrição que antecipa as perguntas mais comuns (funciona? tem nota fiscal? qual o motivo da venda?) e uma faixa de preço coerente quando você informa idade, uso e comparáveis. A parte que ela NÃO resolve é a fotografia em si: ela não limpa o produto, não ajusta a luz ruim do seu quarto nem garante que a peça pareça maior ou menor do que é. Segundo a pesquisa Perfil do Vendedor da OLX (abril de 2025, 800 pessoas), quem vende item sem uso arrecada em média R$ 2.000, e eletrodomésticos, celulares e móveis lideram as vendas. Mais abaixo vai o prompt pronto e o passo a passo pra não deixar dinheiro na mesa.

Como eu preciso o preço de um produto usado sem chutar?

O erro mais comum é escolher um preço “no olho”, geralmente alto demais porque quem vende lembra do valor pago, não do valor de hoje. O caminho certo tem três passos:

  1. Pesquise 3 a 5 anúncios do mesmo item, no mesmo estado, já publicados na plataforma que você vai usar (OLX, Mercado Livre, Enjoei). É o comparável mais confiável que existe, porque é o preço que o mercado está aceitando pagar agora, não uma tabela genérica.
  2. Aplique a lógica da depreciação: quanto mais recente e mais conservado, mais perto do preço novo. Categorias com marca forte e alta procura (eletrônico de marca conhecida, eletrodoméstico básico) desvalorizam menos que item de nicho.
  3. Deixe uma margem de negociação: quem compra usado espera pechinchar, então um preço 10% a 15% acima do que você aceita de verdade evita que a primeira oferta já seja o seu piso.

Uma IA ajuda nesse processo se você colar os 3 a 5 preços que você mesmo achou e pedir pra ela calcular a média e sugerir uma faixa. O que ela não faz sozinha, sem essa pesquisa, é inventar um preço confiável do nada: sem dado de mercado, ela só está chutando com palavras bonitas.

Que fotos eu preciso tirar, e o que a IA não resolve na imagem?

A regra prática: tire a fotografia BOA primeiro, e só depois peça ajuda de IA pra tratar. A ordem errada (foto ruim + IA “salvando”) produz o anúncio que todo mundo já viu e não confia.

O que realmente vende mais, na ordem de impacto:

  • Luz natural, de dia, perto de uma janela. É a variável isolada que mais muda a qualidade de uma foto de celular, e custa zero.
  • Fundo neutro e limpo (parede lisa, chão sem bagunça ao redor). Ambiente bagunçado faz o cérebro de quem olha associar o item a “descuidado”, mesmo que o produto esteja ótimo.
  • Três a quatro ângulos: de frente, de lado, de cima e um close no detalhe que mais importa (a sola do tênis, a etiqueta, o número de série, o defeito se houver).
  • Mostrar o defeito, não esconder. Uma foto do risco ou da mancha, com a legenda explicando, evita a mensagem “mas o vendedor não avisou” que derruba a reputação.

Onde a IA entra de verdade: editar a foto já boa (ajustar brilho, cortar o enquadramento, trocar um fundo bagunçado por um neutro), não criar a cena do zero. Ferramentas como Nano Banana, ChatGPT ou Canva fazem esse retoque em segundos a partir da foto real do seu produto; o guia completo de como fazer isso está em editar foto com IA. O que ela nunca deve fazer é gerar uma foto que não é do seu produto de verdade: isso é o motivo número um de devolução e reclamação em venda de usado.

Como eu peço pra IA escrever o título e a descrição do anúncio?

O título é o que decide se alguém clica, e a maioria das pessoas escreve título vago demais (“Vendo sofá, estado bom”) em vez de um título que já responde a busca de quem procura. A fórmula que funciona:

[Produto] [marca/modelo] [característica que mais importa] [estado], por exemplo: “Sofá 3 lugares retrátil cinza, semi-novo, sem manchas”.

Na descrição, o que faz diferença é responder ANTES de ser perguntado: motivo da venda, tempo de uso, se tem nota fiscal ou garantia, se aceita entrega ou só retirada, e a forma de pagamento aceita. Anúncio que deixa essas perguntas em aberto gera troca de mensagem sem fim e, na maioria das vezes, a pessoa desiste no meio do caminho.

Vale a pena publicar em mais de uma plataforma ao mesmo tempo?

Sim, mas com uma ressalva: mantenha as fotos e o texto base iguais nas plataformas, só ajustando o tom pra cada uma (Enjoei tem um público mais de moda e é mais informal; Mercado Livre e OLX aceitam texto mais direto). A pesquisa da OLX mostra que produtos usados já são a terceira maior fonte de receita da plataforma, atrás só de imóveis e veículos, e que eletrodomésticos, eletrônicos/celulares e móveis concentram boa parte das vendas, então esses itens em especial têm público ativo procurando ali. Publicar em mais de um lugar aumenta alcance sem custo extra na maioria das plataformas, mas exige atualizar (ou remover) o anúncio nas outras assim que vender, pra não receber mensagem de gente interessada num produto que já saiu.

Que prompt eu uso pra pedir pra IA montar o anúncio inteiro?

Aqui vai um modelo testável, pra colar no ChatGPT, Claude ou Gemini depois de já ter tirado as fotos e feito a pesquisa de preço:

“Vou vender [produto], marca/modelo [x], com [tempo de uso] e no seguinte estado: [descreva riscos, defeitos, funcionamento]. Pesquisei esses preços de anúncios parecidos: [cole 3 a 5 valores que você achou]. Com base nisso, (1) sugira uma faixa de preço justa com meu piso e meu preço de anúncio, (2) escreva um título seguindo a fórmula produto + marca/modelo + característica principal + estado, (3) escreva uma descrição que responda: motivo da venda, tempo de uso, nota fiscal/garantia, entrega ou só retirada, forma de pagamento aceita.”

Isso funciona porque transforma um anúncio genérico numa peça que já responde as perguntas que fariam a pessoa desistir no meio da conversa. É o mesmo raciocínio de copywriting com IA que ensino nas aulas da CPDF (Comunidade Profissionais do Futuro - por Danilo Gato), só que aplicado a um problema bem concreto: vender aquele item parado em casa sem perder tempo respondendo a mesma pergunta cinco vezes.

Como eu me protejo de golpe ao vender pra estranho?

Item de alto valor (eletrônico, celular, notebook) atrai tentativa de golpe com mais frequência, e a IA não resolve essa parte, só o bom senso: prefira encontro em local público e movimentado (posto de gasolina, shopping, agência bancária), receba o pagamento confirmado na conta antes de entregar (print de comprovante não é confirmação, saldo caindo é), e desconfie de quem insiste em pagar mais que o pedido “por engano” e pede o troco de volta, um golpe clássico de estorno. Se o comprador pedir pra você mandar o item por transportadora antes de receber, é sinal de alerta: combine sempre entrega presencial ou pagamento antecipado com comprovante real.

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