Imagem ilustrativa do caso Sony Music versus Udio
Tecnologia

Sony Music processa Udio de novo por 30.117 gravações

Sony Music abriu uma nova ação contra a Udio alegando 30.117 gravações usadas para treinar IA sem licença, após a Justiça negar a inclusão dessas obras no processo original.

Danilo Gato

Danilo Gato

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21 de julho de 2026
9 min de leitura

Introdução

Sony Music processa Udio novamente, agora por 30.117 gravações usadas no treino de IA sem licença. A nova ação foi protocolada em 20 de julho de 2026 no Tribunal do Distrito Sul de Nova York, um dia após a imprensa especializada revelar os detalhes. O caso nasce diretamente da negativa judicial, em 29 de junho, que barrou a tentativa da Sony de acrescentar mais de 30 mil obras ao processo original.

O contencioso Sony Music x Udio virou referência mundial no debate sobre IA generativa e direitos autorais na música. A palavra-chave aqui é “30.117 gravações”, número que sintetiza a escala do litígio e o apetite regulatório que cresce no setor. O artigo aprofunda o que mudou com a nova ação, por que a decisão de junho importa para a estratégia processual, como os acordos de Udio com outras entidades mudam o tabuleiro e o que artistas, selos e plataformas podem fazer já.

O que está realmente em jogo neste segundo processo

A nova queixa lista 30.117 fonogramas que a Sony afirma terem sido copiados para treinar os modelos da Udio sem autorização. O texto foi apresentado por Sony Music Entertainment e nove selos afiliados, e sustenta três pilares jurídicos, incluindo violação de direitos em gravações pós e pré 1972, além de infração ao DMCA por suposta burla de medidas tecnológicas de proteção. A Sony pede danos estatutários de até 150 mil dólares por obra, mais penalidades por atos de circumvenção, além de medida liminar.

Segundo o histórico processual, a negativa de 29 de junho não disse que Sony não pode reclamar pelos novos fonogramas, apenas que não precisava ser naquele processo. Esse detalhe abriu a porta para o novo caso, que agora foca exclusivamente nos 30.117 fonogramas. Documento do próprio tribunal confirma a negativa de emenda e referencia a dimensão do acréscimo pretendido.

Do ponto de vista estratégico, separar o litígio em duas frentes reduz o risco de atrasos no caso original e dá visibilidade concentrada às 30.117 obras. Também ajuda a modular prazos de descoberta de prova e eventuais pedidos de julgamento sumário sobre fair use. A experiência mostra que, quando o volume de obras explode, o debate processual costuma girar em torno de cronogramas e ônus probatório. A Sony, ao dividir o campo, tenta acelerar o mérito em ao menos uma frente.

![Mesa de som em estúdio, representando catálogos e masterizações]

Por que a decisão de 29 de junho mudou o tabuleiro

A recusa do juiz em permitir a inclusão de 30.442 obras no caso original não encerrou a discussão. O despacho registrou que os titulares podem buscar tutela e danos, mas não necessariamente no mesmo processo. A negativa, portanto, foi procedimental, não de mérito. Para selos, esse detalhe é crucial, já que indica uma via processual clara para fatiar litígios massificados e manter o foco no que é provado com mais rapidez.

A cronologia recente reforça o contexto. Em 15 de abril de 2026, a corte já havia negado a tentativa da Udio de derrubar a alegação de violação ao DMCA, mantendo viva a tese de que a plataforma contornou medidas de proteção do YouTube para coletar dados. O dossiê público de decisões indica que a discussão sobre “rolling cipher” e outras barreiras tecnológicas deve avançar com mais evidências técnicas.

O que a Udio admite, o que contesta e por que isso importa

A peça de maio de 2026 no caso original e a cobertura subsequente registram um ponto sensível para o mercado, a Udio reconheceu que obteve dados de áudio do YouTube para treinar modelos e que usou a ferramenta YT-DLP, enquanto manteve a defesa central de fair use e a tese de que sua tecnologia cria novas obras. Esse combo “obtenção de dados, ferramenta, fair use” é o coração do contencioso, porque junta coleta, meios técnicos e justificativa legal em uma mesma linha de raciocínio.

No novo processo, a Sony aponta que esse reconhecimento, somado à negativa de 29 de junho, autoriza uma ação específica para os 30.117 fonogramas. O noticiário internacional também confirmou a segunda ação, com veículos de tecnologia replicando a reportagem original da MBW e indicando a data do protocolo na corte de Nova York, em 20 de julho de 2026.

Os acordos que redesenham o mapa, e a posição solitária da Sony

Enquanto o litígio avança, a Udio firmou acordos de licenciamento com a Universal Music Group e com a Warner Music Group, e também com entidades como Merlin, Kobalt, Believe e a National Music Publishers’ Association, além de anunciar um modelo de plataforma licenciada, com lançamento planejado para 2026. A consequência prática é uma operação de IA cada vez mais cercada por contratos, opt-ins e controles, reduzindo riscos regulatórios para quem licencia. Sony, por sua vez, permanece como a grande gravadora que não assinou licença com a Udio.

Esse mosaico revela uma tendência. Quando há previsibilidade jurídica e remuneração para treino e outputs, acordos florescem. Quando falta consenso, litigância ganha tração. De um lado, plataformas buscam portos seguros com licenças amplas. Do outro, titulares pressionam por compensação robusta e salvaguardas técnicas. O caso Sony x Udio virou o principal ponto fora da curva, justamente por manter o teste do fair use vivo, enquanto o resto do mercado tenta normalizar a IA por contratos.

O impacto prático para artistas, selos e plataformas

Ilustração do artigo

Para artistas e selos independentes, o desfecho pode afetar diretamente como o valor do treino e dos outputs será calculado e distribuído. Além dos acordos com majors, surgiram iniciativas no publishing que ajudam a equalizar forças, como o anúncio de 10 de junho de 2026 da NMPA, que descreveu um acordo de licenciamento com a Udio e explicitou uma divisão 50,50 entre composição e gravação na renda de IA. Esse parâmetro, citado no material público, tende a influenciar outras mesas de negociação.

Há também litígios paralelos com impacto setorial. Em 5 de junho de 2026, a American Federation of Musicians processou UMG e WMG, alegando falta de compensação a músicos cujas performances foram licenciadas a empresas de IA, inclusive a Udio e a Suno. O contencioso sindical adiciona pressão política e midiática, e indica que mesmo acordos aparentemente resolvidos podem gerar disputas sobre partilha de receitas.

Para plataformas de IA, o recado é simples. Transparência de dados de treino, controles técnicos contra clonagem indesejada e licenças que cubram tanto treino como outputs não são mais diferenciais, são pré-requisitos para escalar com segurança. A admissão de coleta de áudio no YouTube e o uso de stream ripping aparecem nos autos e no noticiário, o que eleva o risco de danos estatutários e pedidos de medida liminar.

![Visual abstrato de ondas sonoras e espectro de áudio]

Decisões e prazos, o que acompanhar a partir de agora

A nova ação da Sony, protocolada em 20 de julho de 2026, deve ganhar um cronograma próprio, com pedidos de descoberta focados nos 30.117 fonogramas. Em paralelo, o caso original segue com histórico de decisões que preservaram o DMCA na jogada e disciplinaram a publicidade de peças sensíveis por meio de ordens de sigilo parcial. O repositório público mostra movimentações sobre selos de documentos e conferências processuais, sinalizando um primeiro semestre de 2026 carregado de incidentes.

Há um componente de jurisprudência cruzada no horizonte. Em Massachusetts, o caso contra a Suno permanece ativo para UMG e Sony, com discussões de fair use e um número ainda maior de obras que as gravadoras tentam adicionar, acima de 60 mil, segundo peças processuais disponíveis. Um resultado ali pode influenciar argumentação sobre transformatividade e valor de mercado no litígio de Nova York.

Oportunidades e riscos para quem opera IA musical em 2026

Algumas lições práticas se consolidam, úteis para empresas de tecnologia, startups e players tradicionais da música:

  • Licenças com escopo claro. Cobrir treino e outputs, prevendo modelos de remuneração auditáveis e mecanismos de opt-in por artista e catálogo. Os acordos públicos entre Udio, UMG e WMG apontam nessa direção, com planos para um ambiente de IA licenciado em 2026.
  • Governança de dados de treino. Mapear origem, provar autorização e garantir rastreabilidade. A discussão judicial sobre YouTube e YT-DLP mostra que a cadeia de coleta precisa ser defensável tecnicamente e juridicamente.
  • Controles técnicos e filtragem. Fingerprinting, bloqueios de termos, filtros de similaridade e cofres de conteúdo reduzem risco de outputs imitativos, o que ajuda a mitigar pedidos de liminar. Reportagens recentes sobre o “jardim murado” da Udio mencionam esse caminho.
  • Cláusulas de partilha que incluam músicos executantes. O litígio da AFM contra majors após acordos com empresas de IA evidencia uma lacuna de governança que precisa ser endereçada a montante.

Como esta disputa pode redefinir a régua do fair use na música

Fair use em treino de IA musical vai muito além de citação de trechos. O que está em jogo é a apropriação massiva de padrões de gravação e performance para gerar resultados que competem com o catálogo de origem. Se a Justiça entender que há substituição de mercado ou erosão de valor do fonograma, a régua pende para o lado dos titulares. Se prevalecer a tese de extrair apenas “insights” estatísticos sem substituição mensurável, plataformas ganham espaço. O segundo processo da Sony concentra a lupa em um conjunto definido de obras, possivelmente facilitando análises de substituição e de similaridade em outputs.

A posição isolada da Sony, sem acordo com a Udio até aqui, mantém vivo o teste de estresse do fair use aplicado a fonogramas. Enquanto isso, acordos com UMG, WMG e editoras criam uma realidade paralela, na qual a IA musical cresce sob contratos. O mercado, portanto, anda em dois trilhos, um contencioso, outro contratual. A decisão sobre os 30.117 fonogramas vai dizer que trilho tende a prevalecer.

Conclusão

A segunda ação da Sony contra a Udio muda o jogo porque transforma uma frustração processual, a negativa de 29 de junho, em uma estratégia ofensiva com foco cirúrgico nos 30.117 fonogramas. Com o DMCA mantido em pauta, acordos paralelos limitando riscos e sindicatos batendo à porta, a pressão por soluções claras de licenciamento e governança técnica só aumenta.

O desfecho interessa a todo o ecossistema. Se a Justiça endossar a tese de infração e circumvenção, as plataformas terão de acelerar acordos e reforçar filtros. Se o fair use ganhar terreno, majors precisarão calibrar modelos de remuneração mais elásticos para não frear a inovação. Em ambos os cenários, quem se antecipar com dados de treino auditáveis, contratos transparentes e controles de saída consistentes vai liderar a próxima fase da música com IA.

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